Um dia após assumir cargo, relator do caso Renan renuncia

Wellington Salgado deixa a relatoria porque conselho não decidiu futuro de Renan

Agencia Estado

21 Junho 2007 | 12h56

Wellington Salgado (PMDB-MG), relator do processo contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), renunciou ao cargo como havia dito horas antes durante sessão do Conselho de Ética para decidir o futuro do senador: "Não sinto nesse conselho a vontade de julgar alguém pela questão da ética". O presidente do Conselho, senador Sibá Machado (PT-AC) aceitou o pedido. Salgado, escolhido para substituir Epitácio Cafeteira (PTB-MA), que está afastado por problemas de saúde, ameaçou largar a relatoria se fosse impedido de ler o parecer sobre o arquivamento, o que acabou acontecendo. O nome de Salgado sofria resistências dentro do órgão por fazer parte da "tropa de choque" de Renan. O senador assumiu o mandato na vaga deixada pelo ministro das Comunicações Hélio Costa. Sibá informou ainda durante sessão do conselho que o processo contra Renan foi aberto. A partir de agora, um pedido de renúncia não livraria Renan de ficar inelegível caso a decisão do órgão seja pela cassação do mandato. A sessão no conselho foi adiada pela terceira vez, depois de apenas duas horas de debate. Foi mais uma derrota de Renan que, desde o início do processo, no final de maio, tenta votar e arquivar o processo. Diante da pressão da oposição e dos próprios aliados, Renan aceitou depor nesta quinta-feira, no Conselho. Senador é acusado de ter suas despesas pessoais - como a pensão alimentícia para a jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento - pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior. Perícia No início da noite de terça-feira, 19, o Estado ouviu parte dos diálogos travados entre o senador Sibá Machado (PT-AC), presidente do Conselho de Ética, e os peritos Clênio Guimarães Beluco e David Antônio de Oliveira que lhe entregaram o laudo inconcluso. "Tem uma nota fiscal de venda de gado emitida para a (empresa) Carnal que foi paga com cheque. Mas não foi a Carnal que emitiu o cheque. É preciso investigar se essas pessoas (envolvidas com o pagamento e emissão dos cheques) têm algum vínculo com a atividade rural", disse o perito, admitindo que não teve como atestar se a operação envolvia ou não "laranjas" e se comercialização foi efetivamente feita. O perito também admitiu, em outra parte da conversa: "Há algumas vendas de gado, pagas com cheques, que não se relacionam. São pequenas inconsistências." Diante de uma pergunta feita pelo senador Sibá, que o Estado não conseguiu ouvir direito, o perito respondeu: "Mas não se pode comprovar (cabalmente) que haja uma ilegalidade." (Com Ana Paula Scinocca, do Estadão)

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