Tucanos se armam para governar na era Dilma

Oito governadores eleitos vão definir linha que norteará ação dos Estados de oposição

Julia Duailibi/SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2010 | 22h23

A menos de um mês para o início do governo da presidente eleita Dilma Rousseff (PT), os governadores eleitos do PSDB resolveram montar uma estratégia e um discurso comum para enfrentar o governo federal nos próximos quatro anos.

 

Na quarta-feira, os oito tucanos eleitos para os governos estaduais devem se encontrar num hotel de Maceió para definir a linha de conduta que norteará a ação dos Estados de oposição.

 

A ideia é calibrar um discurso que delimite o espaço como representantes da oposição, mas que não alimente conflito extremo com o Palácio do Planalto – muitos governadores, principalmente os de Estados menores, dependem da boa vontade do caixa do governo federal.

 

Será a primeira vez que Geraldo Alckmin (SP), Antonio Anastasia (MG), Marconi Perillo (GO), Simão Jatene (PA), Beto Richa (PR), Siqueira Campos (TO), Teotônio Vilela (AL) e Anchieta Júnior (RR) estarão reunidos para discutir a postura que adotarão diante da administração de Dilma Rousseff.

 

A agenda ainda está sendo fechada por Teotônio Vilela. Também não está definido se o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-governador José Serra, que viaja no fim de semana para fazer uma palestra nos Estados Unidos, comparecerão.

 

O objetivo é fazer uma reunião menor para discutir pontos prioritários. Por isso, os senadores eleitos não devem ser convocados – outro encontro no Senado está programado no mesmo dia para discutir com os novos parlamentares temas como a liderança e a atuação da bancada tucana na Casa.

 

Pauta. Um dos tópicos da agenda, considerado entre os mais urgentes pelos governadores eleitos, é a repactuação das receitas entre os entes federativos.

 

Os atuais governadores têm criticado sistematicamente a concentração dos recursos nas mãos do governo federal em detrimento dos Estados e dos municípios. A oposição defenderá uma redistribuição do bolo tributário, tese que tem pouca chance de emplacar no governo federal.

 

Os governadores afinarão o discurso sobre CPMF, tema em que não há consenso entre os tucanos, e sobre compensações em torno de perdas com a lei Kandir, que desonera exportações.

 

O encontro em Maceió também pretende difundir entre os tucanos políticas do partido consideradas exitosas. As iniciativas serão "vendidas" entre os eleitos para que possam ser importadas por outras administrações.

 

O objetivo é criar "vitrines" do PSDB que possam ser exploradas nas próximas eleições.

 

Tucanos têm defendido discussão sobre a redefinição do programa partidário. "Precisamos discutir propostas efetivas sobre o futuro do País e avançar na criação de uma identidade própria do PSDB", declarou a senadora Marisa Serrano (MS).

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.