Tucanos gaúchos criam dissidência que terá até sede própria

A decisão do senador Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB, de intervir nos diretórios estaduais e municipais do partido para não perder o controle da montagem dos palanques para as eleições municipais de 2016 causou um racha no diretório tucano do Rio Grande do Sul. No braço gaúcho da legenda, líderes estão criando um grupo dissidente que terá sede própria e sairá em busca de filiados pelo Estado.

Gabriela Lara / PORTO ALEGRE , Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

14 Outubro 2015 | 02h03

O movimento PSDB Democrático foi formalizado com uma reunião fechada na noite de ontem em Porto Alegre. Entre integrantes do grupo estão a ex-governadora Yeda Crusius e dois deputados estaduais, Jorge Pozzobom e Adilson Troca. O grupo dissidente gaúcho formulou um manifesto que será entregue a Aécio pela ex-governadora, que integra o executiva nacional do PSDB.

A estratégia do diretório nacional também provocou uma crise no diretório do PSDB da capital paulista, que tentou antecipar a realização de prévias para a disputa da Prefeitura sem o consentimento do governador Geraldo Alckmin. Com aval de Aécio e apoio do governador, o diretório estadual implodiu a movimentação. O comando da sigla na capital resistiu em reconhecer a decisão, mas recebeu sinal verde dos dois pré-candidatos inscritos - o vereador Andrea Matarazzo e o empresário João Doria Júnior - e deve aceitar que a inscrição das prévias se estenda até 2016.

A decisão de intervir nos diretórios municipais também encontra resistência no PSDB em Recife, onde os tucanos temem que seja imposta uma aliança com o PSB, que ocuparia a cabeça da chapa, e em Salvador. Na capital baiana, o PSDB local gostaria de ter candidatura própria, mas Aécio está inclinado a apoiar a reeleição de ACM Neto (DEM).

Aécio e Alckmin, que postulam a vaga de candidato do PSDB à Presidência em 2018, têm interesses específicos, mas concordam que o partido precisa estar com PSB, DEM e PPS em algumas cidades importantes já com vistas à eleição nacional.

Entendimento. Segundo o deputado João Almeida (BA), diretor de gestão corporativa da Executiva Nacional do partido, o que houve no Rio Grande do Sul não pode ser chamado de "intervenção". "Não houve intervenção. O diretório anterior cumpriu o seu mandato e, devido a impossibilidade de se encontrar um entendimento entre os diversos grupos do partido, a direção nacional, ao fim de um mandato constituído, suspendeu, como determina o estatuto partidário, a realização da convenção estadual que elegeria um novo diretório estadual. Ao suspender, decidiu por uma comissão provisória. E o fez com a composição das forças mais representativas."

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