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Política

Geraldo Alckmin

Tucano admite ação favorável a cooperativa ligada a esquema da merenda

Ex-assessor da Casa Civil do governo paulista nega irregularidades, mas diz ter orientado empresário envolvido no caso

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Ricardo Chapola e Pedro Venceslau,
O Estado de S. Paulo

11 Fevereiro 2016 | 03h00

O ex-chefe de gabinete da Casa Civil do governo Geraldo Alckmin (PSDB) Luiz Roberto dos Santos, conhecido como “Moita”, admitiu à Corregedoria-geral da Administração (CGA) ter orientado o empresário Marcel Ferreira Júlio, apontado como lobista do esquema de fraudes em licitações da merenda escolar, a pedir reequilíbrio financeiro do contrato posto sob suspeita na Operação Alba Branca firmado entre a Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf) e a Secretaria da Educação.

No depoimento, ele ainda confessou ter tratado do assunto com o ex-chefe de gabinete da Educação Fernando Padula, demitido em janeiro. Santos prestou esclarecimentos ao órgão que regula a conduta dos funcionários estaduais no dia 2 de fevereiro. 

A polícia investiga suposto pagamento de propina a agentes públicos com dinheiro dos contratos destinados à merenda escolar. Depoimentos dados por funcionários da Coaf à polícia apontam Santos, o presidente da Assembleia Legislativa, Fernando Capez (PSDB), e o secretário de Logística e Transporte, Duarte Nogueira (PSDB), como beneficiários da propina. Todos eles negam as acusações. Os relatos colhidos pela polícia também apontam Marcel como operador das propinas no esquema investigado pela Operação Alba Branca. Ele está foragido desde 19 de janeiro, quando sua prisão foi decretada pela Justiça. 

No depoimento ao qual o Estado teve acesso, o ex-chefe de gabinete da Casa Civil assumiu ter dado orientações ao lobista e de ter recebido Marcel no gabinete em audiências não registradas na agenda oficial. Santos disse que Marcel se apresentou a ele como “assessor do deputado Nelson Marquezelli (PTB) e representante da Coaf”. Marquezelli também foi citado pelos funcionários da Coaf à polícia como um suposto beneficiário da propina oriunda dos contratos firmados com o governo.

Santos afirmou que Marcel pedia a ele contatos com a Secretaria da Educação porque estava “tendo dificuldades em cumprir o contrato da Coaf”. 

Apesar de confirmar à CGA ter tratado com Padula sobre o pedido do lobista, Santos nega ter “interferido diretamente” na secretaria em razão do cargo que ocupava. Ele negou também no depoimento ter “recebido vantagem indevida a título de comissão” de Marcel. “Nunca foi pedido e também nunca pediu nenhuma vantagem”, disse Santos no esclarecimento prestado aos corregedores. O lobista, disse Santos, também nunca pediu que ele intermediasse em favor da Coaf na Secretaria da Educação. 

Celular. Santos disse aos corregedores que a conversa com Padula sobre o pedido de reequilíbrio financeiro do contrato foi feito pelo celular. Segundo o depoimento de Santos, o então chefe de gabinete da Educação teria dito que Marcel tinha que formalizar um pedido para análise da pasta. 

Um dia antes da deflagração da Alba Branca, Santos foi demitido pelo secretário da Casa Civil, Edson Aparecido, do cargo de confiança que ocupava. Ele foi devolvido à função de origem na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

Depois de ter sido exonerado, Aparecido cobrou também uma postura do PSDB, já que Santos é um militante histórico do partido. Até agora, a legenda não instaurou nenhum tipo de procedimento para discutir o caso do suposto envolvimento de Santos na Operação Alba Branca. 

Na semana passada, a CGA também colheu o depoimento do secretário de Logística e Transportes, Duarte Nogueira. O tucano disse ter negado todas as acusações e marcou para hoje uma oitiva na Polícia Civil para prestar esclarecimentos sobre as denúncias.

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