1. Usuário
Assine o Estadão
assine
  • Comentar
  • A+ A-
  • Imprimir
  • E-mail

TRIPOLI BUSCA SER ‘VIA DA MILITÂNCIA’

- Atualizado: 20 Fevereiro 2016 | 11h 51

Deputado disputa prévias do PSDB com João Doria e Andrea Matarazzo

Faltando pouco mais de uma semana para as prévias do PSDB que definirão o candidato do partido à Prefeitura de São Paulo, o deputado federal Ricardo Tripoli tenta evitar o rótulo de “terceira via” diante da aparente polarização entre o vereador Andrea Matarazzo, que é apoiado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo senador José Serra, e o empresário João Doria, que foi o escolhido por Geraldo Alckmin.

Para justificar seu otimismo com a vitória, ele carrega a tiracolo uma pesquisa do instituto GPP sobre os potenciais candidatos da cidade: 14% disseram considerar “positiva” a imagem de Tripoli, 12% a de Doria e 9% a de Matarazzo. Na parte de cima da tabela aparecem Celso Russomanno (PRB), com 55,7% de citações positivas, José Serra (PSDB), 39,7%, e Fernando Haddad (PT), 24%.

Seria um alento se os demais pré-candidatos não tivessem seus próprios levantamentos em que aparecem na liderança. No caso de Tripoli, porém, a pesquisa provocou um constrangimento na legenda, já que ela foi encomendada e paga pelo Instituto Teotônio Vilela. Braço teórico do diretório nacional do PSDB, o instituto é presidido pelo principal cabo eleitoral de Tripoli, o ex-deputado José Aníbal.

O instituto, que é financiado com recursos públicos do Fundo Partidário, não realizou pesquisas como essa em nenhuma outra capital. “Isso não é aparelhamento da máquina partidária. Eu sou do PSDB e São Paulo é uma das poucas capitais que têm disputa de prévia. Talvez tenha também em Goiânia. Se tiver prévia lá, pode ter pesquisa também”, diz Tripoli.

Polêmica à parte, o deputado diz não ter dúvida de que a campanha interna da sigla é “desigual” em termos financeiros. Parlamentar desde 1982, quando foi eleito vereador na capital, ele recebe hoje na Câmara um salário bruto de R$ 33,7 mil, mas já desembolsou R$ 50 mil no acirrado embate interno pela vaga de candidato tucano a prefeito.

Desse total, R$ 30 mil foram gastos com gasolina, refeição e produção de materiais, e R$ 20 mil com o pagamento da taxa de inscrição exigida pelo diretório municipal aos postulantes.

Para reunir a quantia, Tripoli assegura que não recorreu a empresários. “Pedi R$ 10 mil emprestado para dois irmãos e R$ 5 mil para a minha mãe”, afirma. O restante, R$ 20 mil, foi retirado do caixa de seu escritório de advocacia especializado em separações e inventários, localizado na Vila Madalena.

Ao revelar sua planilha “modesta” e se autoproclamar como o “candidato da militância”, o parlamentar tenta conquistar uma raia própria diante da polarização dos rivais que tomou conta da disputa.

As assessorias de Doria e Matarazzo optaram por não revelar os gastos de pré-campanha ao Estado. “Não há prévia na legislação eleitoral”, diz Tripoli ao falar sobre a pouca transparência do processo.

Tabuleiro. A pré-candidatura de Tripoli nasceu de um acordo entre outras duas lideranças do PSDB com influência na máquina partidária da capital: Aníbal, do Instituto Teotônio Vilela, e o deputado Bruno Covas, neto do ex-governador Mário Covas.

Depois de atualizar o mapa político dos diretórios zonais do partido, o trio percebeu que João Doria, com apoio de aliados de Alckmin, havia “conquistado” boa parte dos territórios onde Covas e Aníbal tinham mais influência.

Depois da definição, em meados de janeiro, eles foram para as ruas com o objetivo de recuperar terreno e reativar as antigas bases para tentar fazer frente aos concorrentes e seus respectivos padrinhos.

Em vez de terceira via, ele quer ser uma espécie de “via da militância”. Tripoli usa para isso sua atuação no Câmara dos Deputados, onde é um parlamentar não alinhado aos caciques da bancada. Ao longo de três mandatos consecutivos, o cargo mais expressivo que alcançou foi o de presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia. Em 2011, ele foi o responsável por introduzir o conceito de prévias no partido, mas acabou derrotado por José Serra, que disputou (e perdeu) a Prefeitura em 2012.

Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Estadão.
É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Estadão poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Você pode digitar 600 caracteres.

Mais em PolíticaX