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Travessia do deserto

Para os políticos, decisão de Celso de Mello ajuda a dar segurança para a 'travessia do deserto', como está sendo chamado o período que se iniciará em breve, quando deve cair o sigilo das delações da Odebrecht

Vera Magalhães, O Estado de S. Paulo

15 Fevereiro 2017 | 03h00

Os dois vizinhos da Praça dos Três Poderes respiraram aliviados com a (esperada) decisão do decano Celso de Mello, que indeferiu liminar para sustar a nomeação de Moreira Franco como ministro e descartou desvio de finalidade no ato de Michel Temer.

Apesar de terem torcido um pouco o nariz para a “Lei Janot”, como foi apelidado o critério estabelecido pelo presidente para definir o afastamento provisório de todo integrante do governo denunciado pelo Ministério Público, os políticos entendem que a regra, somada à decisão de Celso de Mello, lhes dá segurança para a “travessia do deserto”.

É assim que está sendo chamado o período que se inicia em breve, quando deverá cair o sigilo das delações de 77 executivos, ex-diretores e funcionários da Odebrecht. 

Sem o risco de uma enxurrada de mandados de segurança impetrados pela oposição – expediente no qual Celso de Mello deu um “chega pra lá” – e com o horizonte fixado por Temer, ministros acham que poderão se segurar nas cadeiras. Como o governo é curto e a duração de processos no Supremo é longa, acreditam que ganham sobrevida até 2018.

A mesma blindagem, parcial, não vale para os congressistas, mas esses também se mostraram aliviados com o fato de o STF, na visão de caciques partidários, ter começado a “colocar a bola no chão”. Segundo um desses próceres governistas, o Supremo sinaliza que não vai se deixar “contaminar" pela pressão pública nem que “ser citado na Lava Jato valha como sentença condenatória irrecorrível”.

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