Trabuco recusa Fazenda e Dilma procura plano B

Trabuco recusa Fazenda e Dilma procura plano B

Sem conseguir atrair executivo do Bradesco, presidente conversa com Nelson Barbosa e estuda outros nomes para equipe econômica

Tânia Monteiro e Vera Rosa, O Estado de S. Paulo

20 Novembro 2014 | 21h37

Atualizado às 23h07

Brasília - Com dificuldades para encontrar o novo ministro da Fazenda, a presidente Dilma Rousseff se reuniu nesta quinta-feira, 20, em sigilo, com o economista Nelson Barbosa, cotado para assumir o cargo. A reunião ocorreu no escritório da Presidência, em São Paulo, um dia depois de Dilma também ter conversado, em Brasília, com o ex-secretário do Tesouro, Joaquim Levy, e com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, para tratar da nova equipe econômica.

O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, recusou o convite de Dilma para substituir Guido Mantega na Fazenda. Trabuco e o presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Lázaro Brandão, estiveram com ela no Palácio da Alvorada, na quarta-feira. O executivo disse sentir-se "honrado" com a oferta, mas alegou compromissos à frente do Bradesco para rejeitar a proposta - ele está sendo preparado para o lugar de Brandão, a partir de 2017.

A recusa representou mais um desgaste para Dilma, que não conseguiu definir ainda quem vai dirigir a principal área do governo num momento de turbulência econômica e crise política. Depois do "não" de Trabuco, Dilma se encontrou nesta quinta com Barbosa, após o velório do ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos.

Colaborador do Instituto Lula, Barbosa foi secretário executivo do Ministério da Fazenda e só deixou a equipe no ano passado, após entrar em choque com o secretário do Tesouro, Arno Augustin. Agora, porém, Dilma tem planos de transferir Arno para a Itaipu Binacional.

Agenda. A presidente corre contra o tempo para produzir uma agenda positiva que se contraponha ao desgaste da Operação Lava Jato, a investigação da Polícia Federal responsável por desbaratar um esquema de corrupção na Petrobrás.

Nesse cenário, a escolha de um ministro da Fazenda afinado com o mercado é considerada fundamental para Dilma dar um sinal de que, no segundo mandato, terá uma política econômica mais ortodoxa. Barbosa, porém, não tem esse perfil.

Joaquim Levy, hoje administrador de fundos de investimento do Bradesco, também é citado para comandar a Fazenda. Dilma conversou com ele na terça e, depois, ouviu Tombini, que deve seguir no Banco Central.

Num passado não muito distante, Dilma e dirigentes do PT tiveram desavenças com Levy, carimbado no partido como "ultraconservador". Ele foi secretário do Tesouro no primeiro mandato de Lula, quando Antônio Palocci era ministro da Fazenda. No desenho em estudo pela presidente, Barbosa, Levy e Tombini devem integrar a equipe econômica a partir de 2015, mas ainda há o Ministério do Planejamento no jogo e até agora não se sabe a posição exata de cada peça.

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