Romildo de Jesus|Futura Press
Romildo de Jesus|Futura Press

Teste em urnas eletrônicas identifica três falhas; TSE diz que não há riscos em votação

Coordenador disse que não há chance de o problema ter ocorrido em eleições anteriores e que será corrigido para as próximas eleições

Breno Pires e Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2017 | 16h28

BRASÍLIA - No relatório do Teste Público de Segurança 2017 do sistema eletrônico de votação, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou nesta sexta-feira, 1º, ter identificado falhas que permitiram o acesso, por parte dos investigadores que fizeram o teste, a 3 pontos importantes da urna eletrônica que será usada nas eleições de 2018. Segundo o tribunal, as falhas estão sendo corrigidas e não há riscos quanto à votação de 2018.

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O problema não ocorreu na eleição passada porque foi identificado em uma atualização de sistema, segundo o tribunal. Os investigadores chamados pelo TSE para testarem a urna descobriram a chave de acesso ao sistema de arquivo do equipamento, o que permitiu ter acesso ao log (espécie de caixa preta), e ao registro digital de votação. 

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Apesar de o presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, ter utilizado a palavra vulnerabilidade, o coordenador de sistemas eleitorais do TSE, José de Melo Cruz, preferiu chamar de outra forma: "Foram três achados, mas não vulnerabilidades". Melo Cruz disse que os "achados" serão rapidamente corrigidos e explicou que ainda não é possível dar o detalhamento completo do teste porque não há conclusão. 

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Ele garantiu que não há chance de a falha ter acontecido em eleições anteriores, porque tem relação com uma nova atualização na urna. "A falha específica encontrada foi colocada no nosso processo de atualização do sistema. Essa atualização é necessária de ser feita, é difícil de ser feita, para que o software esteja acompanhando as mais novas formas de sistema operacional. Esse trabalho é árduo e está em andamento, mas não é nada impossível de ser conseguido", disse.

A FALHA

Dos 14 pontos testados, houve falhas em três. Segundo o coordenador, "o grupo de investigadores conseguiu invadir o sistema e ter acesso ao 'log' e conseguiu acessar aquele sistema que vai monitorando a urna e descrevendo tudo que acontece". "Eles conseguiram também acesso ao RDV, que é o registro digital do voto, mas não conseguiram modificar o RDV, apenas observar", disse, afirmando que o acesso ao RDV não permitia identificar o eleitor nem saber em quem ele voltou.

"Eles tiveram acesso, mas não à ordem de votação e aos votos que foram dados pela urna. Não conseguiram identificar o voto dos presentes", disse.

'CREDIBILIDADE'

Para o presidente do TSE, Gilmar Mendes, que citou as descobertas de falhas, o Teste Público de Segurança é importante justamente para apontar necessárias correções antes das eleições. "Isso demonstra a importância da sociedade civil na tarefa de identificar possíveis vulnerabilidades", disse ele, afirmando que desde 2015 o teste público é parte obrigatória do processo das eleições. 

Gilmar afirmou que a "a credibilidade é cada vez mais robustecida nos sistemas de hardware, software e correlatos", graças a essa "contribuição permanente para o engenho brasileiro que é a urna eletrônica". 

"Inimaginável seria hoje que se voltasse à chamada era do voto em papel, época que facilitava fraude humana na apuração e totalização do voto. Sem falar no atraso. É uma época do passado e queremos que não volte para nos assombrar", disse.

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