Tese de nova eleição direta invade votação da PEC do Teto

Já se falou muito sobre isso, mas não custa nada repetir: a situação do governo de Michel Temer não é boa. A crise política só se agrava com a citação cada vez maior de auxiliares de Temer, de dirigentes partidários e do Congresso com o caixa 2 e o recebimento de dinheiro originário de propina nas delações negociadas com a Justiça.

João Domingos, O Estado de S.Paulo

14 Dezembro 2016 | 01h32

A situação é tão estranha que no debate que antecede a votação do segundo turno da emenda constitucional do teto de gastos do setor público pelo Senado, ontem, os oradores falaram mais na tese da convocação de novas eleições para presidente da República do que na proposta, considerada a mais importante do ajuste fiscal.

Os senadores da oposição, que até pouco tempo eram governo, e assistiram sem condições de reação ao impeachment de Dilma Rousseff, insistem que é preciso aprovar uma emenda constitucional que convoque a eleição.

Eles lembram que, pelas regras de hoje da Constituição, se houver a renúncia de Temer ou a se chapa Dilma/Temer vier a ser cassada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por abuso do poder econômico ou crime eleitoral, a partir de 1.º de janeiro quem elege o novo presidente é o Congresso. Na opinião deles, o Congresso não teria legitimidade para a tarefa, visto que suas principais lideranças estão quase todas sob suspeição.

Dessa forma, têm conseguido fazer da tribuna do Congresso uma tribuna para o debate sobre uma nova eleição para presidente da República.

A sorte de Temer é que o Congresso não tem muito o que fazer senão torcer para que o governo dê certo. E para que novas delações dos executivos da Odebrecht acertadas com a Justiça não revelem muito mais do que já foi revelado.

Por isso mesmo, é pouco provável que haja um apoio generalizado à proposta do senador Antonio Reguffe (sem partido-DF) que permite a eleição direta para presidente da República mesmo que o presidente se afaste ou seja afastado nos dois últimos anos de mandato. Mas que o assunto vai continuar perturbando Temer, isso vai.

A intenção dos partidos de oposição é aproveitar a fragilidade do governo e o inevitável desgaste por causa dos problemas de parte dos ocupantes do Palácio do Planalto com a Lava Jato para tentar levar o povo às ruas na luta por nova eleição.

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