Marcos Bezerra/Futura Press
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Teori homologa delação de Ricardo Pessoa

Relator da Lava Jato no Supremo aprovou acordo de colaboração do dono da UTC que pode envolver novos nomes no escândalo em 80 páginas de depoimentos à Procuradora-Geral da República

Talita Fernandes e Beatriz Bulla, O Estado de S. Paulo

25 Junho 2015 | 19h38

Brasília - O ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta quinta-feira, 25, a delação firmada pelo dono da UTC, Ricardo Pessoa, com a Procuradoria-Geral da República. 

O empreiteiro firmou acordo com a PGR no dia 13 de março para contar o que sabe sobre o esquema em troca de um abrandamento de pena. Pessoa é réu na Lava Jato acusado de coordenar o "clube vip" das empreiteiras na formação de um suposto cartel que atuou no esquema que desviou recursos da Petrobrás. Graças às delações do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef a Procuradoria-Geral da República abriu inquéritos contra 50 políticos no STF e no STJ.

A delação do empreiteiro deverá ser usada para reforçar indícios de envolvimento de políticos já investigados na Operação Lava Jato ou ainda para que novos inquéritos, envolvendo outras pessoas, sejam abertos. Entre os citados, está o senador Edison Lobão (PMDB-MA), ex-ministro de Minas e Energia, como publicou o Estado. O nome do senador já havia sido mencionado por outros delatores da Lava Jato. Ele é alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal por ter supostamente solicitado recursos para a campanha da ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney.

A delação de Ricardo Pessoa tem cerca de 80 páginas e menção a alguns nomes já investigados na Operação Lava Jato. De acordo com fontes ligadas à investigação, o empreiteiro fez menção, por exemplo, ao senador peemedebista Romero Jucá (RR), que é um dos 39 investigados no inquérito que apura perante o STF suposta formação de quadrilha.

O nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de acordo com fontes que acompanham o caso, chegou a ser levantado no curso dos depoimentos, mas sem qualquer sinal mais concreto que o ligue ao escândalo de corrupção na Petrobrás. As menções a Lula teriam sido superficiais, segundo fonte da investigação, e a delação de Pessoa, portanto, não deve gerar uma investigação do ex-presidente petista.

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