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Tensão com a base deve baixar com reforma ministerial, diz Carvalho

Rafael Moraes Moura

14 Março 2014 | 11h 13

Para ministro-chefe da Secretaria da Presidência, divergência com PMDB faz parte do 'teatro político' e defende que projeto do governo continua em curso

Brasília - O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, afirmou há pouco acreditar que a tensão dentro da base aliada vai diminuir após as definições da reforma ministerial promovida pela presidente Dilma Rousseff. Alvo do chamado "blocão" instalado na Câmara dos Deputados, Carvalho foi convocado para prestar esclarecimentos sobre convênios de ONGs e a explicar o patrocínio do governo a um evento do MST, revelado pelo Estado.

Segundo o ministro, em meio às tensões na relação entre o Executivo e o Legislativo, o "que conta mesmo" é que o projeto do governo "está mudando o País". "Isso continua acontecendo, o resto tem um pouco de jogo de cena, um pouco do teatro político, que é natural", afirmou Carvalho, antes de participar do lançamento do edital do Programa de Fortalecimento e Ampliação das Redes de Agroecologia, Extrativismo e Produção Orgânica, no Palácio do Planalto.

"Na vida política a gente vai aprendendo que é natural que ocorram tensões, momentos mais fortes, mais difíceis, a gente tem de ter maturidade e serenidade, como a presidenta teve, para suportar as interpretações, as ondas e contra ondas, e no final a gente acaba sempre se acertando", comentou.

A presidente anunciou ontem a nomeação de seis novos ministros, após uma longa negociação que se arrastou por meses. Os novos ministros da Agricultura, Desenvolvimento Agrário, Cidades, Ciência e Tecnologia, Pesca e Aquicultura, e Turismo tomarão posse na próxima segunda-feira, em cerimônia que deve ocorrer pela manhã no Palácio do Planalto.

"A democracia pressupõe o contraditório, a divergência, a diferença, nenhum de nós nunca pensou em governar o País com um partido único, não seria possível, seria antidemocrático, portanto, quem está na vida da composição democrática entende inclusive que formação de governo não é fisiologismo, não é toma lá, dá cá. Você tem um projeto e, em função desse projeto, você tem que incluir os diferentes, que pensam diferente, os que tensionam", afirmou Carvalho.

"Quando você toma uma definição, há pessoas felizes, outras menos felizes, mas a tensão tende a baixar, eu espero que isso ocorra. E, olha, a gente que está aqui no dia a dia, nem dando conta de tanto o que fazer, não vê a hora de sossegar todo esse processo e a vida seguir, porque o ano é curto e nós precisamos correr pra entregar tudo até o fim do ano", completou.