Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Temer vê brasileiro pessimista e fala em restabelecer otimismo

Presidente evita se referir ao assassinato de Marielle Franco em evento na cidade de Caraguatatuba

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

16 Março 2018 | 18h33

CARAGUATATUBA – O presidente Michel Temer disse nesta sexta-feira, 16, que o brasileiro anda pessimista e defendeu ser preciso restabelecer o otimismo no país. “A confiança no Brasil vai se restabelecendo, pois o país voltou a crescer. O brasileiro sempre foi muito otimista e confiou naquilo que ia fazer. De uns tempos para cá começou um certo pessimismo, uma divisão, uma preocupação intensa aqui que abala até psicologicamente as pessoas", afirmou, sem se referir ao assassinato da vereadora Marielle Franco, do PSOL do Rio de Janeiro, que tem causado reações de revolta em todo o país.

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Deixando de lado a segurança pública, tema que dominou seus últimos discursos, ele citou a melhora nos indicadores econômicos, como a geração de empregos e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Ainda assim, reconheceu que o brasileiro continua pessimista. “Precisamos restabelecer o otimismo em nosso país”, disse, ao lado do ministro da Justiça, Torquato Jardim, que o acompanhava.

Temer lembrou que ainda “há muita gente pobre” no Brasil e voltou a dizer que não vai acabar com o programa Bolsa Família, criado no governo do ex-presidente petista Luis Inácio Lula da Silva. “Não queremos destruir o que o governo anterior fez. Foi o que eu fiz com o Bolsa Família. Eu mantive e, além de mantê-lo, aumentamos em 12,5%, e agora mandei fazer um estudo para ver se faço um novo aumento. Mas a gente não pode ficar a vida toda com 13 ou 14 milhões de pessoas no Bolsa Família".

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Segundo ele, o ideal é que daqui a 10 ou 20 anos o Bolsa Família não seja mais necessário. "Foi por isso que lançamos o programa Progredir, para empregar os filhos daqueles que recebem o Bolsa Família. O programa visa à inclusão social.”

CRÍTICA

Durante a entrega de 9 mil títulos de regularização fundiária a municípios paulistas, em Caraguatatuba, litoral norte do Estado, Temer aproveitou para criticar o programa fundiário de seus antecessores. “Quando nós assumimos o governo há quase dois anos, encontramos a situação fundiária, lamento dizê-lo, caótica. Mais de 50% dos cadastrados estavam irregulares. Demorava tanto para ser entregue que as pessoas faleciam sem receber o título. Com o apoio do Congresso, modernizamos a legislação fundiária e simplificamos a vida das pessoas. Estamos fazendo disso uma das marcas do nosso governo, trazendo a administração pública para o século 21”.

Segundo ele, seu governo vai emitir até o fim do ano cerca 100 mil títulos em todo o país. “Em 2017, nosso governo emitiu mais títulos definitivos que em dez anos dos governos anteriores somados. São quase 100 mil famílias que estão recebendo a titulação definitiva. É mais que a entrega de um papel, um documento oficial, ele revela a dignidade da pessoa humana. Estamos dando segurança jurídica a uma coisa essencial, que é nosso endereço, a nossa casa. Estamos permitindo que o pequeno agricultor tenha acesso ao crédito rural e assistência técnica. É a cidadania mais plena”.

Temer afirmou que, até concluir o curso superior, não tinha imóvel próprio. “Quando terminei a faculdade, meu primeiro sonho era ter um imóvel meu. Eu não tinha uma casa própria. Foram dez anos de exercício de advocacia para ter o primeiro imóvel, e foi uma alegria, porque ter um era sinal de progresso e evolução”.

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O presidente enfrentou protestos na entrada e na saída do Teatro Municipal, local da cerimônia. Militantes do PSOL e de sindicatos ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT), estenderam faixas, cartazes de Marielle e gritaram “fora Temer”, mas foram contidos pela Polícia Militar.

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