Temer pede 'cautela verbal' para Ciro no governo

Desafeto de Ciro Gomes (PSB), o vice-presidente eleito, Michel Temer (PMDB), disse que, se for mesmo confirmado no ministério de Dilma Rousseff, o deputado terá de tomar as devidas "cautelas verbais que o cargo exigirá". A incontinência verbal de Ciro irritou o PMDB ao longo dos últimos meses. Sem nenhuma reserva, o deputado costuma atacar o partido do peemedebista.

JOÃO DOMINGOS, Agência Estado

14 Dezembro 2010 | 18h37

Numa entrevista, ao comentar a aliança do PMDB com o PT para a disputa presidencial, Ciro se referiu assim aos dirigentes peemedebistas: "Quem manda no partido não tem o menor escrúpulo. Nem ético nem republicano. Nem compromisso público. Nada." Ele ainda afirmou que o PMDB é "um ajuntamento de assaltantes". Temer chegou a examinar a possibilidade de processá-lo.

Como a presidente eleita convidou Ciro para seu ministério, não restou a Temer outra alternativa a não ser desejar que o deputado contenha-se nos comentários. Quanto à decisão de Dilma, o vice comentou apenas que "é uma escolha da presidente".

Temer disse que renunciará amanhã à presidência da Câmara, mas ficará no cargo de deputado até o dia 31. Ele é também presidente do PMDB. Dará o lugar ao senador Valdir Raupp (RO).

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