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Entrevista. Ciro Gomes

Para ex-ministro de Lula, o vice faz dobradinha com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e PSDB 'perdeu o pudor'

Temer é 'desleal' e encheu o governo de 'múmia paralítica', afirma Ciro

Vera Rosa

- Atualizado:12 Dezembro 2015 | 10h 05

BRASÍLIA - O ex-ministro da Integração Nacional Ciro Gomes (PDT) disse que fará de tudo para ajudar a presidente Dilma Rousseff a sair da crise e derrotar o PMDB. Em jantar com Dilma e o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), na quinta-feira, Ciro afirmou que o vice Michel Temer "conspira" dentro do Palácio do Planalto e faz "dobradinha" com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). "O que mais me impressiona é a deslealdade do vice, que, depois de empurrar uma montanha de múmia paralítica para dentro do governo, vem com uma carta patética para Dilma", disse Ciro ao Estado.

Ex-tucano, Ciro afirmou sentir "vergonha e pena" do PSDB, que decidiu unificar posição em favor do impeachment. "O PSDB perdeu o pudor e jogou sua história na lata do lixo. Está imitando o pior do PT", argumentou. "Eu vou para a rua contra o impeachment." Provável candidato do PDT à Presidência, em 2018, Ciro recomendou a Dilma que faça mudanças na economia para evitar o agravamento da crise e denuncie o "golpe".

Ciro participou de jantar com Dilma na quinta-feira, evento que causou irritação a peemedebistas do Senado

Ciro participou de jantar com Dilma na quinta-feira, evento que causou irritação a peemedebistas do Senado

O senhor vai participar de uma frente anti-impeachment?

Não tenho participação em nenhuma frente, mas estou na luta contra o golpe. Vou fazer minha militância com o PDT. É preciso ajudar o povo a entender que essa quadrilha representada por Eduardo Cunha está cometendo crimes em série e quer o golpe. Michel Temer é homem do Eduardo Cunha. Eu sei o que estou dizendo.

O senhor está dizendo que o vice-presidente faz dobradinha com Cunha?

Michel Temer está articulando com Cunha e conspirando faz tempo. O que ele faz é desleal e desonesto. Falei com clareza isso para a presidente.

E o que ela disse?

Aí não posso comentar. A conversa pertence a ela. Nós conversamos sobre o Brasil, a economia, a política... Ela mais ouviu do que falou. Dilma está serena e disposta a lutar. Eu disse que sou voluntário para ajudar em tudo o que for preciso. Não é em defesa do governo. É da democracia. Não há razão para impeachment.

E as pedaladas fiscais?

Fernando Henrique fez pedaladas, Lula fez pedaladas. É ruim, mas é muito menos do que crime para impeachment de presidente da República.

Como o senhor avalia a posição do PSDB, que decidiu se unificar em favor do impeachment?

O PSDB perdeu o pudor e jogou sua história na lata do lixo. Está imitando o pior do PT, que, em 1999, pregou o impeachment de Fernando Henrique. Fui para a rua contra isso com a mesma convicção que tenho hoje. Eu vou para a rua contra o impeachment de Dilma. Tenho vergonha e pena do PSDB, mas o que mais me impressiona é a deslealdade do vice, que, depois de empurrar uma montanha de múmia paralítica para dentro do governo, vem com uma carta patética para Dilma.

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