Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Temer diz que não vale a pena falar em impeachment de Janot

Segundo o presidente em exercício, Janot 'cumpriu o seu papel' ao pedir a prisão de caciques peemedebistas

Carla Araújo, O Estado de S. Paulo

22 Junho 2016 | 10h32

BRASÍLIA - O presidente em exercício, Michel Temer afirmou na manhã desta quarta-feira, 22, em entrevista à rádio Jovem Pan que não acredita que a discussão sobre o impeachment do Procurador da República, Rodrigo Janot, deve ser levada adiante. “Eu acho que realmente não vale a pena”, disse. Temer disse ainda que o presidente do Senado, Renan Calheiros, arquivou cinco pedidos de impeachment do procurador. “Se não me engano esse é o sexto e que eu tenho a sensação de que não irá adiante”, afirmou.

Na quinta-feira passada, 16, Renan disse que Janot "extrapolou" os limites ao pedir a prisão e emitir mandatos de busca e apreensão de senadores no exercício do mandato e que iria responder sobre o pedido de impeachment até esta quarta, o que não aconteceu. O senador não deu novo prazo para a análise.Apesar das fortes críticas, negou que estivesse tentando intimidar o procurador.

Segundo o presidente em exercício Janot “cumpriu o seu papel” ao pedir a prisão de caciques peemedebistas e que o ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavaski, também cumpriu o seu papel ao negar o pedido. Indagado sobre quem estaria com a razão, Temer disse que “é muito complicado qualquer palpite”. “Sob o ângulo pessoal, acho que o procurador fez o papel dele, não sei quais são as razões que ele estará possivelmente motivado com os depoimentos. E o ministro Teori também fez o seu papel do meu ponto de vista também adequadamente. Ele entendeu que não era o caso de neste momento decretar a prisão”, disse.

Para Temer, ao longo do tempo as instituições no país foram enfraquecidas e é preciso reconstitucionalizar o país. “E enaltecer as atividades das instituições estaremos aprimorando essa tentativa de reconstitucionalizar”, disse.

Ao ser questionado sobre as afirmações de Janot de que ele pudesse estar interferindo na Operação Lava Jato por meio de uma “conspiração”, Temer disse o procurador se baseou na delação do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado e que aquilo não é necessariamente uma convicção de Janot. “Janot faz esse raciocínio tendo em vista as afirmações do Sérgio Machado”, disse. Temer disse ainda que “reiteradamente que ao contrário de desprestigiar a Lava Jato eu tenho apoiado”. “Eu tenho muita convicção da importância de cadas função do estado. A minha pergunta é o seguinte: o poder executivo poderia interferir no poder judiciário? zero chance”, afirmou. Segundo ele, essa interferência não é possível pelo respeito ás instituições. “Jamais permitiria que eu ou alguém do governo pudesse interferir nessa matéria”, afirmou. Segundo Temer, as investigações da Lava Jato estão continuando normalmente.

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