DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
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Temer diz que governo 'se equivocou' na política econômica dos últimos anos

Apesar das críticas e da falta de convergência em relação às propostas para o País sair da crise, o vice-presidente minimizou possíveis desgastes com o PT

Erich Decat, O Estado de S. Paulo

29 Outubro 2015 | 18h46

Brasília - O vice-presidente da República e presidente do PMDB, Michel Temer (SP), considera que o governo "equivocou-se na política econômica", mas disse que o partido "não está olhando para o passado, mas para a frente", no documento lançado nesta quinta-feira, 29, pela legenda.

Apesar das críticas e da falta de convergência em relação às propostas para o País sair da crise, o vice-presidente minimizou possíveis desgastes com o PT. "A diversidade pode criar um outro ambiente político cultural. Diferentemente de ser um mal, acho que é um bem", afirmou.

No texto, o PMDB avança nas críticas à condução da economia pela gestão Dilma Rousseff e ressalta que a atual situação poderia ser "menos crítica". "Nos últimos anos é possível dizer que o governo federal cometeu excessos, seja criando novos programas, seja ampliando os antigos, ou mesmo admitindo novos servidores ou assumindo investimentos acima da capacidade fiscal do Estado. A situação hoje poderia certamente estar menos crítica", diz parte do texto. Entre os diagnósticos realizados pela cúpula do partido está o de que houve excessos por parte do governo em questões relacionadas ao equilíbrio das contas da União.

Outro item sensível aos petistas defendido pela cúpula do PMDB é a criação de um mecanismo que estabeleça o "orçamento com base zero". A ideia dos peemedebistas é que a cada ano todos os programas estatais sejam avaliados por um comitê independente, que poderá sugerir a continuação ou o fim de programas, de acordo com os seus custos e benefícios. No entendimento da cúpula da sigla, atualmente, os programas e projetos tendem a se eternizar mesmo quando há uma mudança completa das condições.

A divulgação do texto é um novo gesto para demarcar um distanciamento do governo no que se refere às decisões econômicas. O documento servirá como diretriz para discussões de militantes e filiados em encontro previsto para ocorrer no próximo dia 17 de novembro, em Brasília.

Segundo o presidente da Fundação Ulysses Ulisses Guimarães, o ex-ministro Moreira Franco, a lógica que orientou a elaboração do documento foi a de que "faltam perspectiva e rumos". "Estamos propondo esse documento como uma ponte para que possamos atravessar essa quadra", ressaltou.

O material deverá ser encaminhado ainda nesta quinta-feira à presidente Dilma Rousseff. Antes da divulgação das propostas, Temer chegou a conversar com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, por telefone. O ministro teria sinalizado interesse no item em que o PMDB defende que, na área trabalhista, as convenções coletivas prevaleçam sobre as normas legais, salvo quanto aos direitos básicos.

Além dessa proposta, a cúpula do PMDB também defende que se elimine a indexação de qualquer benefício ao valor do salário mínimo. Na lista de temas também há sugestão para estabelecimento de um limite para as despesas e custeio inferior ao crescimento do PIB. No campo da previdência, é defendida a introdução, mesmo que progressivamente, de uma idade mínima que não seja inferior ao 65 anos para os homens e 60 para as mulheres. A cúpula do PMDB também entende que a deve haver a inserção da economia brasileira no comércio internacional com ou sem a companhia do Mercosul.

Fisiológico. A iniciativa de apresentar um documento com propostas para a área econômica também tem como objetivo, segundo dirigentes, tirar a pecha de que o PMDB é apenas um partido fisiológico e mostrar que a legenda tenta buscar caminhos para o País sair da atual crise.

O material também deverá orientar os discursos daqueles que disputarão as próximas eleições municipais, que servem de antessala para disputa presidencial de 2018, quando o partido pretende lançar uma candidatura própria. "Muito provavelmente em 2018 teremos candidatos. Mas não sabemos se o PT vem ou não conosco", considerou Temer. "O documento serve para mobilizar o PMDB. Precisamos disso também para reunificar o PMDB", afirmou.

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