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Política

Brasília

Temer desiste de ir a Portugal, mas não confirma presença em reunião do PMDB

De acordo com a assessoria da vice-presidência, o peemedebista cancelou a viagem para intensificar as conversas referentes ao encontro do Diretório Nacional do partido

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Erich Decat, Adriano Ceolin,
O Estado de S. Paulo

24 Março 2016 | 11h53

Brasília - O vice-presidente da República, Michel Temer, decidiu na manhã desta quinta-feira, 24, cancelar a viagem que faria a Portugal no início da próxima semana. Na ocasião, o vice participaria de evento em Lisboa promovido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, que também contaria com a participação de lideranças da oposição, como o presidente do PSDB, senador Aécio Neves e o senador José Serra (PSDB-SP). O peemedebista ainda não confirmou sua presença na reunião do diretório nacional do PMDB, na próxima terça-feira, 29, que irá definir o rompimento com o governo Dilma Rousseff.

De acordo com a assessoria da vice-presidência, Temer cancelou a viagem para intensificar as conversas referentes ao encontro da sigla. Por ora, ele tende a faltar ao evento. Temer é o presidente nacional do PMDB. Foi reconduzido ao posto no último dia 12 de março, após um acordo com a ala governista do partido. Com a precipitação do processo de impeachment, os dois grupos voltaram a se desentender. O vice avalia não ir à reunião do diretório para não responsável por dividir o partido.

Defensora do impeachment e que Temer assuma o comando do País, a ala oposicionista do PMDB aposta numa vitória da tese de rompimento com o governo. Liderados pelo deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ) e pelo senador Renan Calheiros (PMDB-AL), os governistas atuaram em favor do adiamento.

A proposta foi levada a Temer pelo senador Jader Barbalho (PMDB-PA) na terça-feira. O vice, porém, disse que ouviria a ala oposicionista antes de tomar uma decisão. O grupo oposicionista, porém, se negaram a aceitar a proposta e resolveram  obter uma definição pelo voto. O diretório do PMDB é composto 119 membros.

Até o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva envolveu-se nas discussões. Ele teme que o rompimento do PMDB provoque uma contaminação no resto dos partidos do Congresso, tornando a estratégia de barrar o impeachment inviável.

Nesta manhã, o vice-presidente comunicou que desistiu de ir a Portugal na segunda para participar de um evento promovido pelo instituto de ensinos jurídicos do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A viagem serviria como a desculpa exata para faltar à reunião do diretório.

 

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