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Temer desautoriza líder na Câmara e defende aliança entre PMDB e PT

José Maria Tomazela e Vera Rosa/Brasília - O Estado de S.Paulo

09 Março 2014 | 19h 29

Vice-presidente da República diz que apenas a convenção nacional decidirá futuro de peemedebistas e não 'A nem B', numa resposta indireta a Eduardo Cunha. Para ele, não é o caso de divórcio, pois 2/3 do partido querem manter 'casamento' com Dilma

Atualizado às 22h

O vice-presidente Michel Temer desautorizou o líder do partido na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), que chegou a pregar o rompimento da aliança do PMDB com o governo. Poucas horas antes de se reunir com a presidente Dilma Rousseff, no Palácio da Alvorada, Temer disse que "o PMDB quer manter o casamento com ela e não vê chance de divórcio".

"Não é A nem B ou C nem sou eu quem vai dizer se o partido vai para um lado ou para o outro. É a convenção nacional que decide o que deve ser feito", disse Temer ainda em Tietê (SP), sua cidade natal, onde esteve neste domingo, 9, para receber uma homenagem antes de voltar a Brasília. "Tem dois terços que pensam em manter o casamento e, portanto, a maioria é pela manutenção da aliança, como eu."

No fim da tarde, antes do encontro com Dilma, Temer convocou um seleto grupo do PMDB para uma reunião no Palácio do Jaburu. No encontro ficou decidido que o PMDB não esticaria mais a corda com a presidente nem endossaria as posições de Cunha. A portas fechadas os peemedebistas avaliaram que o bate-boca com o PT só prejudicava o próprio PMDB, que aparecia diante da opinião pública como fisiológico.

"Vou levar para Dilma uma mensagem de concórdia", avisou Temer, que pretende repetir a dobradinha com Dilma, na campanha da reeleição, ocupando a vaga de vice. "A presidenta quer ter uma aliança muito sólida e quer fazê-la prosperar. É conversando que se entende. Tenho certeza de que vai dar certo." Mesmo após a troca de acusações e insultos entre dirigentes do PT e do PMDB, Temer disse não acreditar na cisão. "É uma situação passageira e logo estará superada."

Cúpula. Foi esse, também, o tom da conversa de Temer com os presidentes do PMDB, Valdir Raupp (RO); do Senado, Renan Calheiros (AL); da Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), e com o líder do partido no Senado, Eunício Oliveira (CE), antes da reunião com Dilma.

À noite, a presidente ofereceu novamente o Ministério do Turismo para o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) e não se mostrou disposta a ampliar o espaço do PMDB na Esplanada. Nem mesmo as ameaças de Eduardo Cunha surtiram efeito. A estratégia de Dilma consiste em isolar Cunha e tirar a vaga do Turismo da zona de influência da bancada da Câmara, passando a cadeira para um nome do Senado. Temer se comprometeu a consultar os dirigentes do partido.

A ideia da presidente é nomear o senador Vital para o Turismo, na vaga de Gastão Vieira – deputado licenciado do PMDB que deixará o posto para concorrer a novo mandato – e deixar o Ministério da Agricultura sob comando de um apadrinhado de Temer. Até agora, o mais cotado para substituir Antônio Andrade na Agricultura é Neri Geller, hoje secretário de Políticas Agrícolas.

"Tudo o que não precisamos agora é dessa crise entre aliados em ano eleitoral. Se avançarmos um pouco nas alianças regionais, o clima já começa a distensionar", disse Raupp. Dos 27 Estados, o PT e o PMDB só têm parcerias garantidas, até agora, nos palanques do Distrito Federal, Pará, Sergipe e Amazonas. A situação é considerada dramática no Rio e na Bahia, onde as duas legendas se tratam como inimigas.

Pesquisas em poder do Palácio do Planalto indicam que Dilma cresce quando reage a pressões políticas e rejeita o "toma lá dá cá". Foi assim quando ela fez a "faxina" administrativa que derrubou sete ministros, em 2011, e está sendo assim agora, de acordo com levantamentos de opinião pública feitos pelo marqueteiro João Santana.

Embora o ex-presidente Lula tenha aconselhado sua sucessora a ser mais "política" e conversar com a cúpula do PMDB, ela preferiu chamar apenas Temer para o encontro reservado deste domingo, 9. Após provocar mais divisão entre as alas do PMDB, Dilma agora quer fortalecer o vice, que deve chancelar todas as indicações do partido para o primeiro escalão. / COLABOROU MARIÂNGELA GALLUCCI