Tasso promete que PSDB não ´xinga´ o governo em CPI

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu nesta quinta-feira o compromisso do presidente do PSDB, o senador Tasso Jereissati (CE), de não "xingar, gritar ou ameaçar" o governo nas eventuais comissões parlamentares de inquérito no Congresso para investigar a crise do setor aéreo. Em uma hora e meia de conversa no Palácio do Planalto com o parlamentar oposicionista, Lula chegou a dizer que "admira" o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O encontro de Lula com o presidente do PSDB ocorreu um dia depois da conversa, também no Planalto, entre o presidente e o governador tucano de São Paulo, José Serra. Ao deixar o Planalto, Tasso avaliou que Lula considera "irreversível" a instalação das CPIs. "O governo neste ano está levando uma vida tranqüila, agora vai ficar um pouco mais quente com as CPIs", disse. "Quando tocou no assunto, o presidente disse que respeita a instalação das comissões", completou. Embora tenha dito que a oposição não vai mudar "um milímetro" na postura diante do governo, o senador sinalizou que os tucanos aceitam conversar. "Fazer oposição não é xingar, gritar ou ameaçar, é estar contra no momento certo." Questionado sobre a frase, o senador tentou corrigir: "Eu disse que fazer oposição não é só gritar". Era um Tasso muito diferente daquele que, ao longo do primeiro mandato de Lula, disse que o atual governo tem por características a "farsa, a corrupção e a arrogância". "A relação institucional é positiva para o País", disse à noite o senador. Velho para encantar adversários Tasso disse que estava velho para se encantar com adversários. Ele procurou ressaltar, no entanto, a importância do "diálogo" entre oposição e governo. "Em termos de oposição não muda nada, mas evidentemente se houver diálogo será produtivo". Ele contou que saía do palácio com a garantia de que o governo vai rever vetos ao projeto da Sudene, fará um diálogo sobre pontos em comum da oposição e do governo na reforma política. Lula ainda teria assegurado que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, vai discutir com governadores a definição da receita líquida dos Estados, o que mudaria os cálculos das parcelas das dívidas com a União. O governo ainda atenderia pleitos diversos de governadores oposicionistas. Na conversa, Lula e Tasso não entraram em acordo na questão da CPMF. O senador defende a redução da alíquota até 0,08% e a partilha dos recursos do tributo com Estados e municípios. O governo não quer repartir o dinheiro.

Agencia Estado,

19 Abril 2007 | 22h19

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