Tasso diz que cumpriu seu dever ao ‘chacoalhar’ o PSDB

Senador afirma que seu mandato enquanto presidente interino do partido mostrou que ainda existe indignação dentro da legenda

Thiago Faria e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

28 Novembro 2017 | 15h04

BRASÍLIA – Um dia após desistir oficialmente de ser candidato a presidente do PSDB, o senador Tasso Jereissati (CE) se disse “aliviado” e com a sensação de “dever cumprido” por ter “chacoalhado” o partido. Segundo ele, sua função, enquanto presidente interino do partido, foi demonstrar que a legenda, principal aliada do governo de Michel Temer durante o impeachment, é mais do que a imagem que ultimamente estava sendo apresentada na mídia.

“Mostramos que tem gente diferente, não somos como o PSDB que ultimamente estava aparecendo na mídia. Existe ainda indignação com atitudes que não condizem com nossa história ou nosso princípio. Deu uma chacoalhada principalmente nos mais jovens”, afirmou Tasso, em uma referência às suspeitas de corrupção envolvendo o senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidente afastado do partido. Tasso comandou a sigla de forma interina de maio até o início do mês, após ser destituído pelo próprio Aécio.

Tasso e o governador de Goiás, Marconi Perillo, concordaram em desistir de disputar o comando do PSDB em favor do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que deve assumir a função no próximo dia 9, na convenção tucana.

"O governador tem a liderança, tem a autoridade e a habilidade necessárias para resolver os enormes problemas que o partido tem", disse Tasso. “As opiniões diferentes existem, mas ele (Alckmin) como ponto de união, vai ser capaz de convergir para uma solução.”

Em mais uma referência a Aécio, o senador disse que a nova executiva da sigla, que será eleita no dia 9, tem de ter “cara limpa”. “Tem que estar afinado com as propostas de Mário Covas (governador de São Paulo entre 1995 e 2001), de Fernando Henrique e nossas."

DESEMBARQUE

Para Tasso, será natural que o partido desembarque do governo Temer, como já indicou o governador paulista em entrevista nesta terça-feira, 28. "Ficar ou não no governo é um detalhe dessa mudança que o partido tem que ter, de voltar aos seus princípios fundamentais”, disse.

O afastamento, segundo o senador cearense, não deve ser um problema para que Alckmin consiga atrair partidos que hoje fazem parte da base de Temer para sua candidatura à Presidência. "Vai caber a ele construir essa aliança defendendo posições nítidas e claras, mas ele tem condições para fazer isso”, disse Tasso.

PREVIDÊNCIA

O senador disse ainda não acreditar que o governo consiga aprovar na Câmara o texto da reforma da Previdência neste ano. Segundo Tasso, o partido apoia as reformas, mas, da forma como o texto foi alterado, será preciso uma nova reforma caso a nova redação entre em vigor.

“A reforma da Previdência é fundamental, sem ela o País quebra", disse. "Mas com essa reforma que está ai, quem quer que seja o presidente em 2019, ele terá que votar uma nova reforma", afirmou.

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