Tarso defende mais escutas em investigações policiais

Ministro quer evitar que elas invadam territórios que não são objetos do inquérito

Agencia Estado

18 Junho 2007 | 09h40

O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse nesta sexta-feira, 15, em Porto Alegre, que vai trabalhar em conjunto com a Procuradoria Geral da República e a Polícia Federal para dar maior efetividade às escutas nas investigações e, ao mesmo tempo, evitar que elas invadam territórios que não são objetos do inquérito, para proteger o direito do cidadão. "Uma parte da imprensa do centro do País está criando o mito de que estamos preocupados porque está havendo escuta demais", comentou. "Não, está havendo escuta de menos e temos que ter mais escutas", sustentou. "Estamos em fase de adequação", destacou Tarso, referindo-se à necessidade de atualizar a legislação, "cuja velocidade evolui a dez quilômetros por hora", às novas tecnologias, "que andam a mil por hora". Tarso não citou, mas essas adaptações podem incluir normas que limitem a transcrição de trechos da escuta somente ao que interessar ao inquérito e proibição à escuta de terceiros que mantenham conversações com os investigados. E também podem incluir uma marca eletrônica em meios como CDs e DVDs para rastrear vazamentos propositais de informações. O ministro não quis comentar o relatório da Polícia Federal sobre a Operação Xeque-Mate que indiciou Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por tráfico de influência no Executivo e exploração de prestígio no Judiciário. "Esse é assunto já superado no Ministério da Justiça porque está sob comando do Ministério Público e da Justiça Federal", afirmou Tarso. Nesta sexta, Polícia Federal em Mato Grosso do Sul pediu o indiciamento de 101 acusados de envolvimento com o esquema de jogos ilegais investigado pela operação. Há ainda outros 16 acusados que não tiveram mandado de prisão decretado durante as investigações. Entre os indiciados que foram presos estão Nilton Servo, considerado o chefe do esquema, e Dario Morelli Filho, compadre do presidente da República.

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