Superintendente de São Paulo assumirá Polícia Federal

Ministro da Justiça anuncia também que, por decisão de Dilma, a Secretaria Nacional Antidrogas passará do GSI para a sua pasta

Eugênia Lopes, Luciana Nunes Leal e Leandro Colon / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 Dezembro 2010 | 21h52

Quatro semanas depois de ter sido confirmado para chefiar o Ministério da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo anunciou nesta quarta-feira, 29, a escolha do superintendente da Polícia Federal em São Paulo, delegado Leandro Daiello Coimbra, para assumir o comando da PF. O futuro ministro divulgou também que, por decisão da presidente eleita, Dilma Rousseff, a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) será transferida do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) para a pasta da Justiça.

 

"Foi uma decisão da presidente Dilma para que a política de combate às drogas fique casada com a política geral de segurança públicas", explicou Cardozo. Chefiada por um militar, a Senad passará a ser comandada por um civil. A transferência do GSI para o Ministério da Justiça vai ocorrer após a posse do futuro governo. O remanejamento vinha sendo estudado desde o fim do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

 

Durante a campanha eleitoral, Dilma prometeu uma política forte de combate às drogas. Na época, pressionada pela plataforma do candidato tucano José Serra, ela se engajou numa campanha de combate ao consumo de crack lançada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

Daiello está à frente da superintendência da Polícia Federal em São Paulo desde 2008. Tem 44 anos e entrou para corporação em 1995. Já comandou a Delegacia de Repressão a Entorpecentes e a Delegacia de Repressão aos Crimes Fazendários.

 

"A Polícia Federal tem quadros altamente qualificados. Entrevistei várias pessoas. O Leandro tem elevado gabarito e já prestou relevantes serviços ao País", afirmou o futuro ministro.

 

Luiz Fernando Corrêa, atual diretor da Polícia Federal, decidiu se aposentar. O pedido foi publicado no Diário Oficial da União de ontem. Corrêa ficou três anos no comando da PF.

 

Lista tríplice

 

Na semana passada, Cardozo entregou a Dilma uma lista tríplice com os nomes dos selecionados para ocupar o cargo de diretor-geral da Polícia Federal, em substituição ao delegado Corrêa.

 

Um dos mais cotados era o superintendente da PF no Rio Grande do Sul, Ildo Gasparetto. Ele acabou preterido na disputa, apesar de ser apadrinhado pelo ex-ministro da Justiça Tarso Genro, governador eleito do Rio Grande do Sul. "Não foi uma escolha simples", observou Cardozo, reconhecendo ter demorado "mais do que esperava" para tomar a decisão.

 

Cardozo anunciou ainda a manutenção do diretor-geral do Departamento de Polícia Rodoviária Federal, Hélio Derenne, no cargo. O futuro ministro confirmou também o nome de Luiz Paulo Barreto, atual titular da pasta, na Secretaria Executiva do Ministério da Justiça. Segundo o futuro ministro, apenas um secretário de sua equipe ainda não foi definido. Cardozo não quis, no entanto, divulgar o nome dos novos titulares das secretarias do ministério. "Seria uma profunda deselegância da minha parte se eu anunciasse publicamente sem comunicar aos atuais secretários", alegou.

 

Perfil

 

Leandro Daiello Coimbra estava quase de malas prontas para Roma, onde assumiria o posto de adido da Polícia Federal. Pesou mais a indicação do ministro José Eduardo Martins Cardozo (Justiça), que o entrevistou há duas semanas, em Brasília. "Polícia não tem segredo, é seguir o que está na lei e na Constituição", pondera Daiello, que por 2 anos e 8 meses dirigiu a PF em São Paulo, a maior e mais importante superintendência regional da corporação.

 

Ele tem a fama de conciliador, mas não admite insubordinações. Metódico, pautou a sua gestão em São Paulo pela disciplina e exigência de cumprimento de metas. Não abre mão da investigação de campo como o melhor caminho para a obtenção de provas no inquérito – método que valorizou nos tempos em que atuou na fronteira com o Uruguai.

 

Daiello chegou à PF de São Paulo em meio à fogueira da Santa Tereza e da Satiagraha – duas delicadas operações de combate a crimes financeiros envolvendo políticos, empresários e banqueiros. Era abril de 2008. Hábil, contornou crise interna decorrente da missão que levou à prisão Daniel Dantas, do Opportunity. Evitou atritos.

 

Também foi estratégico no relacionamento com o Judiciário e o Ministério Público.

 

Sob seu comando, a PF desencadeou outra operação marcante, a Avalanche, que capturou o empresário Marcos Valério, réu no caso do mensalão.

 

Daiello foi uma aposta do delegado Luiz Fernando Corrêa, que promoveu a mais completa e profunda reforma na instituição. Logo que assumiu a cúpula da PF de São Paulo, Daiello revelou desconforto com os transtornos na emissão de passaportes, grande desafio sob sua responsabilidade. São emitidos 1,5 mil documentos por dia na superintendência, explosão de 38% na demanda em 2010 – esta a causa principal do problema. Tornou-se um obstinado, mandou abrir novos postos de atendimento.

 

Hábitos simples, a cuia do chimarrão sempre à mão, ele tem uma outra paixão: o Grêmio de Porto Alegre. Por esses dias anda muito feliz com o modesto terceiro lugar que o rival Internacional conquistou no Mundial de Clubes, no início de dezembro. / FAUSTO MACEDO

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