Suíça mantém bloqueio de contas de ex-sócio da Engevix

Sócio da empresa hoje solto, José Antunes Sobrinho foi preso em setembro de 2015 na Lava Jato

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

01 Fevereiro 2018 | 20h05

GENEBRA – O Tribunal Federal da Suíça rejeitou os recursos apresentados pelo ex-sócio da Engevix, José Antunes Sobrinho, e decidiu manter bloqueadas suas contas no país europeu. Os valores do congelamento, porém, não foram revelados. 

Investigado desde 2014, Antunes foi condenado a oito anos de prisão por ter feito pagamento de mais de R$ 4 milhões em obras de Angra 3. O caso acabou também gerando a condenação do ex-presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, a 43 anos de prisão por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisão e organização criminosa. Antunes foi preso na 19.ª fase da Operação Lava Jato, em 2015. 

Naquele ano, suas contas na Suíça foram alvo de um bloqueio. Mas o empresário tentou, em diversos momentos, reverter o confisco, alegando que as medidas eram desproporcionais e que não havia provas de que os valores depositados tinham relações com as suspeitas no Brasil. Agora, o Tribunal suíço rejeitou o recurso. 

Em 2016, num depoimento ao juiz Sérgio Moro sobre suspeitas relacionadas com contratos com a Petrobras, ele garantiu que desconhecia qualquer tipo de propinas e que desconhecia os ex-diretores da estatal. Quando o juiz o questionou naquele momento sobre Othon Luiz, seu advogado esclareceu que o caso estava sendo alvo de uma negociação para uma eventual delação premiada. 

Nela, o empreiteiro teria revelado repasse de R$ 1 milhão para o então vice-presidente Michel Temer em tentativa de delação premiada. Mas o acordo jamais foi concluído. Temer, a época, negou qualquer relação com o caso. 

O dinheiro, segundo Antunes apontou na época, teria sido solicitado pelo coronel João Baptista Lima Filho, amigo de Temer e também investigado. A revelação sobre o presidente, porém, foi indicada por Antunes meses depois de iniciar a negociação para um acordo de delação. 

Ele também não informou aos procuradores quando e como Lima recebeu dinheiro em 2014. O Palácio do Planalto, na época, insistiu que Temer não havia autorizado ninguém a receber recursos em seu nome.

COM A PALAVRA, ENGEVIX:

O texto publicado no Estadão em 1º/2 mostra que o mutirão para melhorar o país apelidado “lava jato” por vezes produz injustiça. A Nova Engevix e seu sócio controlador Jose Antunes Sobrinho têm colaborado integralmente com a Justiça. Todas as acusações que envolvem recursos financeiros estão respaldadas e garantidas com ativos no Brasil. O bloqueio de uma conta de família, no exterior, de cerca de duas décadas foi uma medida desnecessária que talvez fizesse sentido no início das investigações, mas é descabido e abusivo na quadra atual.

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