JF Diorio/Estadão
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Suíça apura no Brasil gerentes de contas

Delegação de procuradores do país europeu esteve em Curitiba para ouvir suspeitos da Lava Jato a fim de obter informações sobre depósitos bancários

Jamil Chade, CORRESPONDENTE, O Estado de S.Paulo

23 Novembro 2017 | 05h00

GENEBRA - Uma delegação de procuradores suíços esteve no fim de outubro em Curitiba para questionar suspeitos da Operação Lava Jato. O objetivo do grupo era colher informações sobre quem eram os gerentes e intermediários que ajudaram na abertura de contas em bancos do país nas quais dinheiro ilegal foi depositado. 

A iniciativa faz parte da terceira fase da operação no contexto da Lava Jato, conduzida pelo Ministério Público de Berna. Depois de investigar corruptos e corruptores, os procuradores agora partem para decifrar como mais de US$ 1 bilhão entraram na Suíça, em mais de mil contas atualmente congeladas.

Ao Estado, as autoridades suíças evitaram dar detalhes do que ocorreu em Curitiba. Mas “confirmam que, no contexto do caso Petrobrás-Odebrecht, uma delegação do escritório do procurador-geral da Suíça esteve no Brasil”. “Diante dos resultados obtidos e dos documentos que estão em nossa posse, o escritório do procurador-geral, no que tem sido chamado de terceira fase, examinará a questão de abrir procedimentos criminais contra intermediários financeiros na Suíça”, disse o MP da Suíça.

Os nomes dos suspeitos interrogados no Brasil não foram revelados. Mas a reportagem apurou com fontes envolvidas no processo que as questões que lhes foram apresentadas tinham relações com a operação de abertura de contas, do controle feito pelos bancos sobre a origem do dinheiro e se algum operador ou gerente teria colaborado em ocultar a rota dos recursos.

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Ao Estado, procuradores do Ministério Público Federal explicaram que existe um entendimento entre Curitiba e Berna sobre a separação do trabalho. Em casos envolvendo cidadãos suíços e que não serão jamais extraditados ao Brasil, a preferência que se dará é de que o inquérito seja conduzido em Berna. Já para brasileiros, a responsabilidade ficaria entre Brasília e Curitiba.

Em maio, e seguindo esse princípio, o juiz federal Sérgio Moro autorizou a transferência para Berna do processo envolvendo o suíço-brasileiro Bernardo Freyburghaus. Ele é suspeito de ter sido um dos intermediários para contas envolvendo ex-diretores da Petrobrás. Mas, assim que a operação eclodiu no Brasil, ele se mudou para a Suíça e, por sua nacionalidade, não poderá ser extraditado de volta ao País.

Também chamou a atenção dos investigadores a delação premiada de Fernando Miggliaccio, ex-executivo do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, o departamento da propina. Preso em Genebra, ele acabou sendo transferido ao Brasil e revelou como se relacionava com intermediários e mesmo gerentes de bancos. 

Uma das relações era com Heitor Duarte, um dos gerentes do banco PKB. Duarte, segundo o Estado apurou, chegou a ter um entendimento com a Odebrecht para usar o sistema confidencial de trocas de mensagens da construtora e criado para organizar o pagamento de propinas.

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