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Sucessão de Campos abre guerra no PSB

Isadora Peron - Enviada especial

22 Janeiro 2014 | 22h 30

Líderes do partido em Pernambuco disputam indicação do governador para a vaga de candidato ao comando do Estado nas eleições de outubro

Recife - O governador de Pernambuco e provável candidato à Presidência, Eduardo Campos (PSB), que passou 2013 rodando o Brasil para ganhar visibilidade nacional, precisou nos últimos dias serenar os ânimos de aliados em seu próprio Estado. Pressionado a antecipar o nome de quem será o escolhido para disputar o governo estadual, Campos tem repetido que não pretende tomar já essa decisão.

Desde o início do ano, o PSB pernambucano vive uma disputa interna pela definição do futuro candidato ao Palácio das Princesas. Lutam pela indicação os secretários de governo Tadeu Alencar (Casa Civil) e Paulo Câmara (Fazenda), além do ex-ministro da Integração Nacional Fernando Bezerra Coelho e do vice-governador João Lyra.

A situação é inédita para Campos. Presidente nacional do PSB, ele sempre teve o domínio completo do partido e raramente tem as decisões questionadas por correligionários. Nos bastidores, o que se ouve é que o PSB está tendo os seus dias de PT, já que as decisões da sigla do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Pernambuco costumam ser marcadas por muita confusão e intriga.

Em 2012, a discussão em torno de quem seria o candidato a prefeito do Recife rachou o PT. A briga interna fez com que o senador petista Humberto Costa chegasse em terceiro lugar na disputa, depois de o partido governar a cidade por 12 anos.

Na terça, 21, ao comentar a definição do candidato do seu partido em Pernambuco, Campos disse que há pessoas que por falta de "coragem" estariam agindo repassando informações sob a condição do anonimato e outras que estariam trabalhando por interesse próprio, usando a imprensa para tentar promover suas ideias. Era um recado para a disputa doméstica no PSB.

Homem de confiança do governador, o prefeito do Recife, Geraldo Júlio, foi escalado para acompanhar de perto esse processo. Ele, no entanto, diz que não há sinais de desentendimentos internos. "É natural que haja ansiedade de algumas pessoas. Isso faz parte do processo. Mas isso é mais na imprensa do que na vida real."

Desde a virada do ano, Campos tem evitado se afastar de Pernambuco porque seu quinto filho pode nascer a qualquer momento. Nas próximas semanas ele prometeu procurar aliados e lideranças do PSB para iniciar conversas e tentar apaziguar os ânimos em torno de sua sucessão.

Na terça, reunida na casa do governador, no Recife, a cúpula do PSB decidiu que somente a partir de março vai discutir oficialmente a definição dos palanques estaduais.