Evaristo Sá/AFP
Evaristo Sá/AFP

Câmara recebe denúncia da PGR e, agora, deve notificar Temer

Acusação chega à Casa sem a presença de Rodrigo Maia; processo só pode ser aberto no Supremo se for aprovado por 2/3 dos deputados no plenário

Daiene Cardoso, Breno Pires, Rafael Moraes Moura e Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

29 Junho 2017 | 09h49

BRASÍLIA - Ao lado do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a deputada Mariana Carvalho (PSDB-RO), segunda-secretária da Mesa Diretora da Casa, começou a ler nesta tarde de quinta-feira, 29, perto das 14h, no plenário, o conteúdo completo da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer.

Pelo rito da Casa, a denúncia deve ser lida pela segunda-secretária e a notificação do presidente da República fica a cargo do primeiro-secretário, Fernando Giacobo (PR-PR).

Somente após a leitura da denúncia, o primeiro secretário da Câmara, deputado Fernando Giacobo (PR-PR), virá ao Palácio do Planalto notificar o presidente. Em seguida o processo será encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) Temer terá até dez sessões plenárias para apresentar a sua defesa e de mais cinco para o relator, ainda não designado, emitir seu parecer.   

Caberá à CCJ apreciar a admissibilidade do pedido da PGR. A comissão deverá oferecer um parecer sobre a denúncia dentro de 5 sessões, contadas a partir da manifestação do denunciado ou a partir do fim do prazo. Este parecer deverá informar se a comissão é contra ou a favor do pedido de autorizar a abertura de ação penal. Mas o que for decidido na comissão não impede que a denúncia seja analisada no plenário.

Após ser lido, o parecer deve ser publicado e incluído na Ordem do Dia da sessão plenária seguinte ao recebimento pela mesa. A votação no plenário é nominal, com necessidade de dois terços dos deputados (342 dos 513) para que a denúncia seja admitida e o STF possa instaurar processo. A comunicação ao STF deve ocorrer em um prazo de duas sessões.

O STF só julgará o recebimento da denúncia se a Câmara autorizar previamente a abertura de processo criminal contra Temer. Se não for formada a maioria exigida, a denúncia ficará suspensa até Temer deixar o cargo de presidente, quando, então, ela poderá vir a ser apreciada pela Justiça.

Caso a Câmara autorize o prosseguimento da denúncia, o STF determinará que o denunciado seja notificado para, no prazo de 15 dias, apresentar sua resposta à acusação.

A PGR acusa Temer, e o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), do crime de corrupção passiva na investigação iniciada com base na delação do grupo J&F. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ligou Temer a Loures na denúncia, alegando que a mala de R$ 500 mil recebida por Loures de um executivo da JBS teria sido encaminhada sob a influência do presidente Temer.

"Juízo político". O ministro relator do caso no Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, havia considerado a possibilidade de abrir espaço para a defesa do presidente Temer se manifestar antes do envio da denúncia à Câmara. Esse foi o pedido da Procuradoria-Geral da República. Fachin, porém, entendeu que cabe à Câmara e não à Suprema Corte ouvir inicialmente a defesa do presidente.

O ministro disse que, se fosse aberto um prazo para a defesa do presidente Michel Temer se manifestar no STF, isso terminaria por "aniquilar o próprio escopo protetivo da Presidência da República buscado pela Constituição ao submeter a acusação por crime comum a um juízo prévio, predominantemente político, a ser realizado pelos senhores Deputados Federais".

"A realização de um juízo de admissibilidade, pelo Supremo Tribunal Federal, prévio ao da Câmara dos Deputados, implicaria admitir que a Constituição teria imposto ao Presidente da República a necessidade de enfrentar o juízo predominantemente político, a ser realizado pela Câmara dos Deputados, fora do exercício de suas funções", disse Fachin.

A opção por enviar diretamente à Câmara era a defendida pelos advogados do presidente Temer. O advogado Gustavo Guedes se reuniu com Fachin na terça-feira, 27, e explicou que considerava esta a forma mais rápida de tramitação.

"Não é que seja o melhor para a defesa, é o melhor para o País. Queremos julgar logo. Na nossa avaliação, o quanto antes a gente puder encaminhar e resolver, melhor", afirmou o advogado na terça-feira.

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