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STF autoriza abertura de terceiro inquérito contra Cunha

- Atualizado: 08 Março 2016 | 00h 18

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, suspeita que o deputado solicitou e recebeu propina de um consórcio formado pelas empreiteiras Odebrecht, OAS e Carioca Christiani Nielsen Engenharia

BRASÍLIA - O ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um terceiro inquérito contra o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no âmbito das investigações sobre o esquema de corrupção na Petrobrás.

O inquérito é baseado em indícios de que o parlamentar teria recebido R$ 52 milhões em propina nas obras do Porto Maravilha. Cunha é réu na Operação Lava Jato por corrupção e lavagem de dinheiro e nega ter recebido as vantagens ilegais.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, suspeita que o deputado solicitou e recebeu propina de um consórcio formado pelas empreiteiras Odebrecht, OAS e Carioca Christiani Nielsen Engenharia.

O novo inquérito tem como base as delações dos empresários Ricardo Pernambuco Júnior e seu pai Ricardo Pernambuco. Ambos apontaram o presidente da Câmara, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o doleiro Mário Góes, operador de propinas do esquema de corrupção instalado na Petrobrás entre 2004 e 2014.

Segundo os empresários, que firmaram acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), o peemedebista teria recebido o equivalente a 1,5% dos títulos comprados pelo Fundo de Investimentos do FGTS (FI-FGTS), paga em 36 parcelas. A primeira transferência, de quase US$ 4 milhões, foi realizada para uma conta no Israel Discount Bank.

No pedido de abertura de investigação feito por Janot ao STF em fevereiro, o procurador-geral acentuou que as informações repassadas pelos delatores são “robustas”. A investigação preliminar já conta com documentos bancários que indicam transferências, extratos de contas na Suíça e correspondências eletrônicas.

Na semana passada, Cunha se tornou o primeiro parlamentar réu em uma ação na Lava Jato, pelo suposto recebimento de propina em contratos de navios-sonda com a Petrobrás. Na última sexta-feira, Janot ofereceu ao STF uma denúncia contra o parlamentar referente a existência de contas na Suíça que teriam Cunha e a família como beneficiários.

Além de Cunha, a mulher do parlamentar, Cláudia Cruz, e a filha, Danielle Dytz, foram alvo de investigação por terem sido supostamente beneficiárias das contas ilegais mantidas na Suíça. Na denúncia, Janot pediu a Teori que desmembrasse as investigações referente a Cláudia e a Danielle e as enviasse à primeira instância, em Curitiba, sob a condução do juiz Sérgio Moro. A defesa de Cláudia apresentou nesta segunda um pedido ao ministro Teori de que o desmembramento não fosse feito e o caso sobre ela continuasse no STF.

Procurada, a assessoria de Cunha informou que não irá se manifestar sobre a abertura do novo inquérito. 

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