Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Servidor do Espírito Santo é exonerado por espalhar 'fake news'

Evandro Figueiredo teria espalhado pesquisas falsas que apontavam reeleição do governador capixaba, Paulo Hartung (PMDB)

Vinícius Rangel, especial para O Estado

15 Março 2018 | 15h55

VITÓRIA - O governo do Espírito Santo exonerou nesta quinta-feira, 15, o funcionário público Evandro Figueiredo, suspeito de espalhar informações falsas que favoreceriam o atual governador capixaba, Paulo Hartung (PMDB). O servidor, que trabalhava na Secretaria Estadual de Esporte e Lazer, teria publicado no site Capixabao.com uma pesquisa eleitoral que apontava a vitória de Hartung na corrida pela reeleição. O caso é investigado pela Polícia Federal na Operação "Voto Limpo", deflagrada nesta quinta-feira.

A PF recolheu computadores, celulares e outros materiais na casa e no trabalho de Figueiredo. As investigações começaram após uma denúncia anônima. Pelo menos 12 agentes participam da operação.

++ Projeto prevê prisão para quem divulgar fake news

A matéria foi retirada do ar por ordem judicial. Além da notícia falsa divulgada no site, outra pesquisa estaria circulando em grupos de WhatsApp. O documento apontava uma possível vitória de Hartung, com 39% dos votos, em um cenário contra o ex-governador Renato Casagrande (PSB) com apenas 30% das intenções. Os dois são adversários desde a última eleição para o cargo no Estado.

De acordo com o delegado da PF Vitor Morais Soares o ex-servidor fez a publicação para influenciar a eleição de Hartung e, consequentemente, garantir o próprio cargo. “Ele fez isso para o benefício próprio, pensando em ocupar um cargo, caso houvesse a continuidade do atual governo”, disse o delegado.

++ 'Fake news' têm 70% mais chance de viralizar que as notícias verdadeiras, segundo novo estudo

A pesquisa falsa também revelava uma tendência favorável para o atual deputado estadual Amaro Neto (PRB), que disputaria o cargo de Senador. Um dos responsáveis pelo site Capixabao.com também teria sido ouvido nesta semana. Até o momento, ninguém foi preso. Segundo o delegado Soares, os envolvidos no caso prestaram esclarecimentos à PF e foram liberados. O inquérito policial segue em segredo de justiça e será concluído em 30 dias.

Outro lado

Em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira, 14, a secretária estadual de comunicação, Andreia Lopes, disse que não há nenhum tipo de participação do governo no caso. "Vamos apurar rigorosamente a conduta do servidor”, afirmou.

A reportagem tentou contato com Evandro Figueiredo, mas não obteve retorno. Já o site capixabao.com publicou uma nota em sua página alegando surpresa com a investigação. “Temos uma empresa com CNPJ registrado, endereço fixo e recolhemos nossos impostos. Procuramos sempre divulgar informações baseadas em fatos reais e não especulativos”.

A assessoria do deputado Amaro Neto informou por meio de nota que o parlamentar "não tem nada a declarar, pois ele não tem ligação com o fato". 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.