Serra garante que não concorre à sucessão de Kassab

Já mencionado como candidato, ele rejeita a ideia, mas diz que continuará na política como 'um dos pensadores' do PSDB

Julia Duailibi/SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2010 | 22h34

O candidato derrotado à Presidência da República pelo PSDB, José Serra, descartou nesta quarta-feira, 1º, a possibilidade de concorrer à Prefeitura de São Paulo na eleição municipal de 2012.

 

Em reunião com cerca de 200 sindicalistas, num hotel na zona norte da capital paulista, o tucano disse que não pretende concorrer ao cargo que disputou em 2004. Afirmou, no entanto, que pretende continuar na política, mas não deu pistas se entrará na corrida presidencial de 2014.

 

"Não sou candidato em 2012, mas continuo na política, que faço com prazer há muitos anos", declarou o tucano, segundo relato de sindicalistas que estiveram presentes ao encontro. O ex-governador paulista deu a declaração após ouvir da plateia manifestações sobre seu futuro político e a disputa pela prefeitura.

 

Recluso desde que perdeu a eleição presidencial deste ano, Serra aceitou convite para participar de uma reunião da Executiva Nacional da UGT (União Geral dos Trabalhadores).

 

Integrantes da entidade manifestaram apoio ao tucano durante a corrida eleitoral deste ano. Em julho, o então candidato compareceu a um encontro da UGT em São Paulo, onde recebeu carta de apoio à sua candidatura, assinada por 12 das 20 representações da entidade. Todas as regionais que na ocasião declararam o apoio a Serra eram das regiões Norte e Nordeste.

 

Prefeitura. Com a derrota na corrida pelo Palácio do Planalto, o nome de Serra voltou a circular internamente no PSDB como um dos cotados para disputar a Prefeitura de São Paulo em 2012. Um dos motivos é ele ter aceitado disputar a prefeitura em 2004, dois anos após perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva. Serra deixou o cargo de prefeito em 2006 para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes, quando se elegeu governador.

 

No encontro desta quarta, o tucano aproveitou para agradecer a manifestação de apoio concedido durante a eleição pelos sindicalistas, especialmente o dos dirigentes da UGT do Nordeste.

 

"A UGT fez um documento importante durante a eleição, apresentado para todos os candidatos. Temos relação boa com o governo federal também. Não somos adesistas, queremos apenas discutir questões importantes para o setor, como as relativas ao salário mínimo", afirmou o presidente da UGT, Ricardo Pattah.

 

Política. Para a plateia, Serra afirmou que, apesar da derrota, não desistirá da vida pública e que quer atuar na formulação de políticas para o País. Afirmou que pretende ser um dos pensadores políticos do seu partido, mas não mencionou de que forma irá fazer isso – o tucano é cotado para tocar a presidência do Instituto Teotônio Vilella (ITV), órgão de estudos e formação política ligado ao PSDB e hoje presidido por Luiz Paulo Vellozo Lucas, um dos principais aliados de Serra dentro do partido.

 

Durante a reunião com os sindicalistas, o tucano ouviu de um dos presentes que o PSDB, que tem o "s" da palavra social, deveria se aproximar mais de alguns setores estratégicos da sociedade, inclusive do sindicalismo.

 

Outro tema colocado em pauta no encontro de ontem foi a questão econômica, como a possibilidade de aumento da inflação no ano que vem. Serra, ainda segundo relato de presentes, falou que o ano de 2011 será muito menos fácil do ponto de vista econômico do que foi 2010.

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