Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Série do Estadão vence segundo lugar no Prêmio Latino-americano de Jornalismo Investigativo

Por meio de um cruzamento de dados, a equipe mostrou que 1.309 pessoas morreram  nos últimos 20 anos em conflitos de terra

Isabela Bonfim, O Estado de S.Paulo

04 Dezembro 2016 | 14h11

BRASÍLIA - A série de reportagens "Terra Bruta", publicada em julho pelo Estado, foi agraciada com o segundo lugar no Prêmio Latino-americano de Jornalismo Investigativo, concedido anualmente pelo Instituto Prensa y Sociedad (IPYS) e pela Transparência Internacional. As matérias se destacaram por revelar uma rede formada por políticos, juízes, procuradores e policiais que atua no tráfico de madeira e roubo de terras públicas nas regiões Norte e Centro-Oeste do País.

A investigação jornalística durou sete meses e a reportagem foi produzida pelos jornalistas André Borges e Leonêncio Nossa (textos), Dida Sampaio e Hélvio Romero (fotos), Luciana Garbin (edição), Fábio Salles (direção de arte) e Everton de Oliveira (edição de vídeo). Por meio de um cruzamento de dados, a equipe mostrou que 1.309 pessoas morreram  nos últimos 20 anos em conflitos de terra. O trabalho também venceu, neste ano, o Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, uma das mais tradicionais distinções jornalísticas do Brasil.

O júri do IPYS avaliou que a investigação do Estado em oito unidades da federação permitiu elaborar uma radiografia que expôs como o tráfico de madeira financiou campanhas eleitorais de governadores, prefeitos e parlamentares e gerou uma violência pelo controle da terra que custou a vida de centenas de pessoas, como índios e trabalhadores sem-terra. O júri foi formado pelos jornalistas Fernando Rodrigues, do Brasil, Santiago O' Donnell, da Argentina, Giannina Segnini, da Costa Rica, Lise Olsen, dos Estados Unidos, e Ewald Scharfenberg, da Venezuela.

Sigilo telefônico. Durante a conferência, os organizadores do fizeram moção de solidariedade à jornalista e colunista do Estado, Andreza Matais, e ao jornalista Murilo Ramos, da revista Época, que tiveram  os sigilos quebrados por decisões de judiciais. O tema da ameaça a repórteres por parte do Poder Judiciário marcou o encontro da Cidade do Panamá. 

 

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