Daniel Teixeira
Daniel Teixeira

Série de reportagens sobre desafios do Brasil vira livro

‘A Reconstrução do Brasil’, publicada entre setembro de 2016 e janeiro deste ano, pós-impeachment, já está à venda em livrarias e bancas de jornal; obra do ‘Estado’ apresenta soluções para País sair da crise

O Estado de S.Paulo

16 Setembro 2017 | 16h00

A série especial de reportagens sobre os desafios do Brasil para alcançar o desenvolvimento sustentável, a estabilidade política e o bem-estar social, pós-impeachment, virou livro. A Reconstrução do Brasil será lançada pelo Estado na terça-feira, dia 19 – o e-book estará disponível a partir de outubro. A obra reúne as 15 reportagens produzidas pelo jornalista José Fucs, repórter especial do jornal, e os dez editoriais correlatos publicados entre setembro de 2016 e janeiro deste ano.

Veja as reportagens que deram origem ao livro

Cada tema apresentado ao leitor ao longo da série, como reforma da Previdência, ajuste fiscal, cerco à corrupção, desestatização e novo pacto federativo, traz soluções propostas por especialistas da área – Fucs fez mais de 50 entrevistas. A lista reúne nomes de peso, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – autor do prefácio –; o economista Antonio Delfim Netto, ex-ministro da Fazenda, do Planejamento e da Agricultura; os juristas Célio Borja e Nelson Jobim, ambos ex-ministros do Supremo Tribunal Federal (STF); e o cientista político Luiz Felipe d’Avila, presidente do Centro de Liderança Política.

Seguindo a mesma ordem das publicações no jornal, a obra exibe no primeiro capítulo a apresentação geral da série. Hora de Mudar serve como uma espécie de resumo dos principais desafios a serem enfrentados pelo País e pelo mandato de Michel Temer, na travessia até 2019. Da realização da reforma política à adoção de um novo pacto federativo e do equilíbrio das contas públicas e das reformas tributária e trabalhista à melhoria do ambiente de negócios, a série, e consequentemente o livro, engloba as principais questões que travam o desenvolvimento do País na visão de especialistas e do Estado. O jornal volta a publicar um livro após nove anos – a última obra que recebeu o selo do jornal foi Mordaça no Estadão, de José Maria Mayrink.

Já na página 13, Fucs traduz a situação em maio de 2016, quando teve início o governo Temer: “Na essência, o que está em jogo é a escolha entre dois Brasis. Um, que ganhou uma força descomunal nos últimos anos e agora está na berlinda, é o Brasil da ilha de fantasias de Brasília, do Estado obeso e perdulário, que drena a produção e o trabalho dos brasileiros para sustentar seu apetite insaciável. É o Brasil dos pequenos e grandes privilégios obtidos com dinheiro dos pagadores de impostos; dos burocratas que criam dificuldades para vender facilidades; e dos funcionários públicos, que não precisam se preocupar com a crise, porque têm estabilidade no emprego”.

E continua: “O outro Brasil, massacrado pelo peso da carruagem que tem de puxar, é o Brasil real, o Brasil dos mortais, que paga impostos de primeiro mundo e recebe serviços de terceiro mundo. É o Brasil dos brasileiros que têm de trabalhar duro para pagar suas contas em dia e garantir o mínimo de qualidade de vida para si mesmos e para suas famílias; dos que sofrem com a recessão prolongada e com o desemprego. É o Brasil que valoriza a meritocracia, o esforço individual e o sucesso alcançado sem pixulecos nem favores oficiais”.

Hoje, segundo Fucs, essa escolha ainda se faz necessária, de olho já em 2018, quando a população será convocada para escolher um novo presidente, apesar de alguns temas terem avançado, como a reforma trabalhista e a PEC do Teto de Gastos. “Mas a agenda das reformas se mantém oito meses após o fim da série. E certamente vai permear todo o debate político e eleitoral do ano que vem. Me sinto confortável em afirmar que o livro dá uma contribuição considerável para essa discussão, não apenas apontando os problemas a serem enfrentados, mas apresentando propostas para solucioná-los”, disse. “É um ponto de partida.”

Detalhes do funcionamento da máquina pública são revelados ao leitor ao longo de 150 páginas. Nelas, informações atualizadas e reveladoras comprovam a necessidade de modernização do Estado, corte de gastos públicos e mudança no atual sistema eleitoral, em busca de uma maior representatividade e menor distanciamento entre o eleito e o eleitor. Na página 27, Fucs cita uma pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos, sobre as instituições no País, para mostrar que o envolvimento de dezenas de parlamentares e governantes em escândalos de corrupção colocou a classe política em último lugar no ranking da credibilidade nacional. Dos entrevistados, 78% afirmaram não confiar nos políticos e 19% disseram confiar pouco.

Outros dados pincelados em todo o livro ajudam a explicar parte do nosso atraso e da urgente necessidade de reformas complexas para um melhor funcionamento do País. No capítulo 5, intitulado A Batalha contra os Privilégios, o leitor é informado de que no período de 2001 a 2014 o total de funcionários públicos na ativa nos três níveis de governo (federal, estadual e municipal) passou de 5,8 milhões para quase 9 milhões. “O rombo existente hoje nos orçamentos do governo federal e de vários Estados e municípios é decorrente, em boa medida, do inchaço da folha de pagamento.” Desde 2001, as despesas com pessoal tiveram um crescimento de 127% – são R$ 218,6 milhões a mais, o suficiente para pagar o Bolsa Família a 13 milhões de brasileiros por sete anos.

“Embora a expressão ‘choque de gestão’ esteja meio desgastada hoje em dia, ela reflete com perfeição a profunda reforma pela qual o Estado brasileiro tem de passar, com a adoção de ferramentas de administração da iniciativa privada, para deixar de sugar recursos cada vez maiores da sociedade e entregar serviços cada vez melhores aos cidadãos e às empresas. A ideia, cultivada desde sempre no País, de que, para melhorar a situação do governo e os serviços públicos, é só gastar mais terá de ceder espaço, enfim, à busca por mais eficiência, à otimização das despesas e às parcerias com o setor privado e as organizações sociais. Ao final desse processo, quem sabe, talvez possa emergir um Estado mais enxuto, mais ágil e com menos corrupção”, resumiu Fucs, que se dedicou por sete meses à produção da série.

A repercussão positiva do trabalho se refletiu também nos editoriais do Estado. Durante a publicação da série, o jornal publicou dez editoriais com base nos temas abordados em A Reconstrução do Brasil – todos esses textos também compõem o livro tanto na versão impressa como na digital. “Para mim, participar desse projeto foi um privilégio. Começamos logo depois do impeachment. O Brasil, naquela época, estava detonado. A ideia foi mesmo tentar mostrar caminhos para voltarmos aos trilhos e numa época em que o jornalismo do dia a dia nos deixa pouca margem para discutir ideias, aprofundar o debate. E sem ficar em cima do muro.”

QUEM É

José Fucs. Repórter especial do 'Estado'.

Jornalista desde 1983, é repórter especial do Estado. Foi repórter especial da Época, editor-chefe da revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios e editor executivo da Exame. Trabalhou também como repórter na Gazeta Mercantil e na Folha de S.Paulo.

A RECONSTRUÇÃO DO BRASIL

Autor

José Fucs

Editora

O Estado de S. Paulo

Número de páginas: 

150

Versões

R$ 39,90 (livro) e R$ 24,90 (e-book)

Lançamento

19 de setembro, às 19h, na Livraria Cultura (Av. Paulista, 2.073, Conjunto Nacional, São Paulo, SP)

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.