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Senadores vão acompanhar deputados em missão para investigar Petrobrás

RICARDO BRITO - Agência Estado

13 Março 2014 | 13h 57

Presidente da Comissão de Relações Exteriores definirá nomes que viajarão para a Holanda

Brasília - O Senado vai criar uma comissão externa para acompanhar os deputados federais que vão à Holanda investigar denúncias de corrupção em contratos firmados entre a Petrobrás e a empresa holandesa SBM Offshore para locação de plataformas marítimas. Os senadores aprovaram nesta quinta-feira, 13, um requerimento para que o presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado, Ricardo Ferraço (PMDB-ES), crie uma comissão externa.

O pedido foi aprovado na comissão por unanimidade, inclusive com o apoio de senadores da base aliada presentes, como Eduardo Suplicy (PT-SP) e Roberto Requião (PMDB-PR).O pedido foi apresentado pelo líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP), e pelo senador Paulo Bauer (PSDB-SC).

"A gravidade das denúncias motivou a louvável iniciativa da Câmara dos Deputados e deve compelir também o Senado Federal a participar efetivamente do processo. Devido ao caráter internacional da questão, estamos convencidos de que esta Comissão de Relações Exteriores tem o dever de acompanhar o desenrolar dos fatos com a maior proximidade possível", justificaram os autores do requerimento.

Caberá ao presidente da comissão, o peemedebista Ricardo Ferraço (ES), fazer a indicação dos nomes. Ele negou qualquer retaliação da base aliada no Senado com a aprovação do requerimento. "A motivação daqui não é a mesma, não tem nada a ver com a da Câmara. Foram senadores da oposição que apresentaram o pedido. Ainda vamos ver como vai funcionar, não sabemos o número de integrantes, mas imagino que seja equilibrada no sentido de ter representantes do governo e da oposição. Com esse requerimento, a comissão passa a ser um trabalho conjunto do Congresso", disse Ferraço.

Na terça-feira, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou a criação da comissão externa para investigar as denúncias de propina na estatal. A medida foi a primeira derrota do Palácio do Planalto no Legislativo desde a formação do "blocão", grupo de partidos aliados, mas insatisfeitos com o governo Dilma Rousseff. O movimento foi comandado pelo líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), que na semana passada defendeu o rompimento do seu partido com o governo.

No caso do Senado, de acordo com o Regimento, o requerimento não vai precisar passar pelo plenário da Casa. O senador Eduardo Suplicy, único petista que participou da votação, disse que não há temor de se investigar a Petrobrás.