Senadores querem ampliar ação no TSE

Senadores de oposição à presidente Dilma Rousseff afirmaram ontem que a revelação pelo Estado do conteúdo de mensagens trocadas pelo empreiteiro Ricardo Pessoa para tratar de doações à campanha eleitoral da petista fortalece a ação contra ela em curso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2015 | 02h01

Mensagens trocadas via celular por Pessoa, dono da UTC Engenharia, e um executivo do grupo sugerem que as doações da empreiteira para a campanha de reeleição da presidente estavam relacionadas ao recebimento de valores dos contratos que ele detém na Petrobrás. O material foi anexado aos autos da Lava Jato.

"RP, posso resgatar o que fizemos de doações esta semana?? Tá pesado e não entrou um valor da PB que estava previsto para hj, +/- 5mm", pergunta o executivo. O dono da UTC concorda: "Ok pode. Você não resgatou nada ainda certo?".

Segundo a análise dos investigadores da PF, os resgates poderiam ser a compensação de valores pagos em propina e a sigla "PB" significa Petrobrás. "Esta semana já foi 6,35 de contribuição e não resgatamos nada", diz outro trecho.

A suspeita da oposição é que contribuições oriundas do esquema de desvios e corrupção na Petrobrás tenham sido utilizadas na campanha de Dilma para desequilibrar o processo eleitoral.

Segundo o senador Agripino Maia (DEM-RN), "a troca de mensagens fortalece a tese que está sendo discutida no TSE, de contaminação de dinheiro envenenado na campanha, conforme alertou o ministro Gilmar Mendes (vice-presidente do TSE)". "Isso se configura em prova material. São registros fundamentais para ação no TSE e que devem ser requisitados pelo tribunal", afirmou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) analisa ação de investigação eleitoral em que o PSDB pleiteia a cassação dos mandatos da presidente Dilma e do vice-presidente Michel Temer. No processo, o partido argumenta que houve abuso de poder político e poder econômico na campanha de 2014.

FHC. Ontem, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em entrevista ao telejornal STB Brasil, do SBT, afirmou que um eventual processo de impeachment contra Dilma no Congresso necessita de apoio popular. "A força do impeachment, se houver, vem da rua. Não vem de dentro do Congresso", disse.

Uma ala das tucanos insiste em afastar dia por meio do impeachment, em movimento paralelo à ação no TSE, que afastaria também o vice-presidente Michel Temer.

"Isso se configura em prova material. São registros fundamentais para ação no TSE e que devem ser requisitados pelo tribunal"

Álvaro Dias

SENADOR (PSDB-PR)

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