André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Senado restringe acesso da população ao plenário após protestos

Medida foi tomada pela Mesa Diretora da Casa após senadores reclamarem da pressão que estavam sofrendo durante as votações

Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

09 Julho 2015 | 17h09

Brasília - Após semanas de protestos de diversas categorias, a Mesa Diretora da Casa decidiu restringir o acesso ao plenário. Um ato aprovado na quarta-feira, 8, definiu que apenas assessores credenciados poderão ocupar a Tribuna de Honra da Casa. Agora, pessoas que vierem acompanhar as votações só poderão ficar nas chamadas galerias, onde o contato com senadores é mais restrito.

A medida foi tomada após diversos senadores reclamarem da pressão que estavam sofrendo durante as votações. Nessa quarta, o Senado foi tomado por dois protestos. Enquanto aposentados pressionavam pela aprovação da Medida Provisória da política do salário mínimo, servidores do Ministério Público pediam o aumento dos seus salários.

Na ocasião, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), chegou a afirmar em dois momentos que só iria colocar em votação o projeto do reajuste se os manifestantes "silenciassem" as vuvuzelas.

Também causou mal-estar entre os parlamentares o fato de os aposentados terem vaiado o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que apresentou uma emenda à MP que estendeu a política do mínimo aos beneficiários da Previdência Social. 

"Eu quero lamentar que estejam transformando o Senado em um corredor polonês. Eu tenho 12 anos de Senado e nunca vi uma confusão tão grande quanto nas últimas semanas", disse o líder do governo, senador Delcídio Amaral (PT-MS), em solidariedade a Cristovam.

O petista Paulo Paim (RS), porém, apoiou os manifestantes. "Por que agora não se pode fazer a pressão democrática, dialogando com o Congresso Nacional?", questionou.

Na semana passada, o Senado foi tomado por um dos mais longos - e barulhentos - protestos da história da Casa. Servidores do Judiciário passaram dias com buzinazos dentro e fora do Congresso para que o reajuste da categoria fosse aprovado - o que acabou acontecendo.

No mês passado, uma manifestação contra a aprovação do projeto que muda as regras de exploração do pré-sal acabou em tumulto. A Polícia Legislativa teria usado até mesmo um taser (aparelho de choque) para conter os manifestantes que se recusavam a deixar as galerias do Senado. 

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