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Semana teve bate-boca com 'vídeo pornô', 'bandido' e 'narcotráfico' no Congresso

Com ânimos acirrados, parlamentares quase foram às vias de fato na Câmara e no Senado, relembre como foram as brigas

O Estado de S. Paulo

31 Outubro 2015 | 05h00

A crise política parece estar acirrando os ânimos dos parlamentares no Congresso. Em ao menos duas ocasiões nesta semana, deputados e senadores foram além da troca de acusações e críticas políticas, chegando quase às vias de fato. Relembre as situações em que o clima esquentou na Câmara e no Senado. 

O primeiro episódio ocorreu na quarta-feira, 28, quando os deputados João Rodrigues (PSD-SC) e Jean Wyllys (PSOL-RJ) protagonizaram  discussão com acusações de roubo de dinheiro público e de ligação com o narcotráfico.

Tudo começou quando João Rodrigues usava a tribuna da Câmara para criticar parlamentares que eram contra a flexibilização do Estatuto do Desarmamento, aprovada na terça-feira, 27, por uma comissão especial da Casa. 

 

O deputado de Santa Catarina sugeriu que parlamentares que são contra a flexibilização, como Jean Wyllys, "se postam como que se fossem verdadeiros defensores de bandido". "A forma determinava que alguns defendem me parece que estão extremamente ligados a quadrilhas, ao narcotráfico a bandidos", acusou.

Vídeos pornôs. Em resposta, Jean Wyllys acusou Rodrigues de roubar dinheiro público. "Homens decentes não assistem vídeos pornôs durante a sessão plenária. Homens decentes não são condenados por improbidade administrativa, por roubar dinheiro público, como o deputado foi", disparou.

O deputado do PSOL se referia ao flagra feito pela imprensa, em maio deste ano. Durante uma votação de propostas da reforma política na Casa, Rodrigues foi flagrado assistindo vídeo e vendo fotos pornôs. Na época, o parlamentar afirmou que tinha apenas aberto um vídeo enviado em grupo do aplicativo WhatsApp.

 

"Portanto quem não tem moral para representar o povo brasileiro é ladrão", afirmou Wyllys, acrescentando: "Qualquer programa de televisão é mais decente do que deputado que rouba dinheiro do povo na sua administração pública". "E olha deputado resta saber se seu video pornô era hetero ou homossexual", finalizou.

Cunha. Pouco depois do primeiro bate-boca, mais confusão em plenário. Eduardo Cunha chamou a deputada Clarissa Garotinho (PR-RJ) para discursar, mas ela disse não ter tido tempo de chegar à tribuna. 

"Ele não permitiu o tempo de caminhar. Estou há mais de três meses inscrita para falar. Ele (Cunha) sabe que não vou poupá-lo no meu discurso. Ele marcou (sessões) extraordinárias todas as vezes que fui sorteada", reclamou a deputada, filha do ex-governador do Rio de Janeiro Anthny Garotinho, ex-aliado e atual desafeto de Cunha.

Sem poder falar, Clarissa subiu à Mesa e posicionou-se atrás de Eduardo Cunha com um cartaz em que se lia "Cunha quer trazer o dinheiro sujo da Suíça. Diga não", em alusão às contas secretas na Suíça atribuídas ao presidente da Câmara e seus familiares. "Estou fazendo essa manifestação em forma de cartaz porque não tem jeito de falar", disse a deputada, que deixou a Mesa conduzida por seguranças da Casa.

'Safado e bandido'. No dia seguinte, na quinta-feira, foi a vez de o clima esquentar no Senado. O líder do DEM na casa, Ronaldo Caiado (GO), e o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga (PMDB-AM), precisaram ser contidos por outros parlamentares durante intenso bate-boca em audiência pública na Comissão Mista de Mudanças Climáticas do Congresso Nacional.

Caiado fazia um questionamento sobre a renovação das concessões das distribuidoras e os planos de venda da Celg Distribuidora pela Eletrobrás, quando chamou a atenção de Braga para que ouvisse a pergunta. Enquanto o ministro tentava dizer que estava ouvindo as palavras do senador e pedia desculpas por ter se virado de lado, Caiado levantou-se e foi em direção à mesa dizendo que estava sendo desrespeitado.

Vossa Excelência deveria ficar calmo, está muito nervoso. Vossa Excelência está desequilibrado", disse Braga, enquanto Caiado o chamava de "bandido" e "safado". "Safado é Vossa Excelência, me respeite. Bandido é você", completou o ministro.

Caiado chegou a chamar Braga para a briga, dizendo que queria resolver o desentendimento fora da sala. O ministro não chegou a se levantar da cadeira, enquanto o senador era contido pelos demais parlamentares. Após a saída do senador goiano da sala, os demais senadores fizeram um desagravo e repudiaram a "atitude destemperada" de Caiado. O presidente da comissão, senador Fernando Bezerra (PSB-PE), afirmou que relatará as atitudes de Caiado à Mesa Diretora do Senado.

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