Polícia Militar/Divulgação
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Sem-terra são presos acusados de saque em fazenda da Cutrale

Empresa conseguiu na justiça liminar de reintegração de posse, que já está sendo preparada pela PM

José Maria Tomazela, da Agência Estado,

06 Outubro 2009 | 17h35

Integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) são acusados de saquear a fazenda Santo Henrique, do grupo Cutrale, invadida desde o dia 28 de setembro em Borebi, na região de Bauru, a 320 km de São Paulo.

 

Um caminhão-baú transportando 12 caixas de laranja a granel, máquinas, ferramentas e uniformes subtraídos da fazenda foi apreendido na madrugada desta terça-feira, 6, no km 248 da rodovia Castelo Branco, em Avaré. Os dois acusados, José Alves de Lima Neto, de 52 anos, e Ivanildo Cosmo de Oliveira, de 49, contaram ao delegado José Cardoso de Oliveira que pegaram as frutas porque iam apodrecer. Eles foram presos em flagrante por furto qualificado.

 

Na fazenda, onde 350 militantes permanecem acampados, o clima é tenso. Os sem-terra tomaram a casa-sede, escritórios e instalações, e usaram tratores da empresa para destruir cerca de 7 mil pés de laranja, segundo a Polícia Militar.

 

 A ação foi filmada com o uso de um helicóptero. Imagens do vandalismo revoltaram o comandante do 4º Batalhão da PM de Bauru, tenente-coronel Benedito Meira. "É destruição pura e simples", disse.

 

As cinco famílias de colonos foram expulsas e as casas, invadidas. Eles não tiveram tempo para retirar seus pertences. Os imóveis foram pichados. O MST mantém militantes no portão e controla o acesso. Não há policiamento e os funcionários estão sendo impedidos de entrar na área para fazer os tratos culturais, colher laranja e irrigar as plantas. Há risco de perda total dos pomares, com 1 milhão de pés.

 

A Cutrale conseguiu na justiça de Lençóis Paulista uma liminar de reintegração de posse para desocupação em 24 horas, sob pena de despejo forçado e pagamento de multa diária de R$ 500 por invasor. Advogados dos sem-terra pediram a transferência da ação à Justiça Federal, mas, nesta terça, o juiz Mário Ramos dos Santos manteve o despejo.

 

PM prepara reintegração

 

A PM de Bauru prepara a operação, mas os sem-terra prometem resistir à desocupação. De acordo com Santos, as terras foram consideradas patrimônio da União em decisão da Justiça Federal de Ourinhos. "Ao invés de entregar a fazenda, a Cutrale entrou com recurso, por isso decidimos botar pressão."

 

Ele negou os saques. "Não é do feitio do MST, nossa ação é de reivindicação." De acordo com Márcio Santos, da coordenação estadual do MST Santos, os sem-terra arrancaram apenas três hectares (30 mil metros quadrados) de laranja para plantar feijão e arroz. "Trocamos a laranja, que vai para o exterior, por alimento para os acampados." A área destruída, afirmou, é insignificante ante mais de 2 mil hectares plantados com laranja. "Não somos nós os vilões e sim a empresa, que usa indevidamente uma área pública."

 

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) informou que a área faz parte do núcleo Monção, adquirido por sentença judicial de 1909 pela União e, posteriormente, grilada por terceiros. Em 2006, o Incra entrou com ação reivindicatória, mas o processo ainda não teve decisão final.

 

A Cutrale informou que tem a posse legítima das terras e que a fazenda é produtiva, gerando cerca de 300 empregos com carteira registrada. "Muitos deles são assentados do próprio movimento", disse Carlos Otero, gerente de relações institucionais da empresa. A Cutrale espera a reintegração para calcular os prejuízos da invasão. A mesma área já foi invadida pelo MST durante o "abril vermelho" de 2008. Naquela ocasião, os sem-terra atenderam a ordem judicial de desocupação.

 

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