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Sem-terra farão marcha pela reforma agrária em SP

JOSÉ MARIA TOMAZELA - Estadão Conteúdo

22 Agosto 2014 | 18h 45

Integrantes da Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL), que reúne movimentos de luta pela terra, farão uma marcha entre os dias 29 de agosto e 1 de setembro, no interior de São Paulo, em defesa da reforma agrária. De acordo com o líder José Rainha Júnior, duas colunas com 600 camponeses cada uma sairão em marcha simultânea em direção a Presidente Prudente, no Pontal do Paranapanema.

O objetivo, segundo ele, é chamar a atenção para o descaso dos governos estadual e federal com a reforma agrária. Conforme Rainha, desde 1985 foram destinados 24 milhões de hectares para assentar 544,9 mil famílias no Brasil. "Nos oito anos do governo Lula, foram assentadas 94.709 famílias, mas no governo Dilma, até agora, só foram assentadas 3.472 famílias."

Ele conta que, em fevereiro deste ano, a superintendência paulista do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) assinou convênio com a Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) no valor de R$ 72 milhões para arrecadar 17 mil hectares de terras devolutas no Pontal do Paranapanema e destiná-los à reforma agrária. "Daria para assentar quase mil famílias, mas o ano está acabando e não houve qualquer ação para isso", disse.

Um dos grupos de manifestantes partirá de Presidente Venceslau, seguindo pela rodovia Raposo Tavares, e o outro sai de Iepê, que fica do lado oposto. A rodovia ficará parcialmente bloqueada durante os três dias de marcha. A concentração será na Praça da Catedral, no centro de Presidente Prudente.

Em nota, o Incra-SP informou que a obtenção de áreas por meio do convênio de reversão de terras depende do interesse de proprietários em firmar acordos financeiros para a destinação de suas áreas à reforma agrária. Até esta sexta-feira, 22, segundo o Incra, o Itesp apresentou ao Incra uma área que está sob análise. Já o Itesp informou que apresentou duas áreas com propostas de acordo ao Incra e cabe ao órgão federal viabilizar os acordos e fazer os pagamentos. Segundo o Itesp, foram implantados 95 assentamentos estaduais no Pontal do Paranapanema desde 1984.

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