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Sem PMDB, Lindbergh foca na campanha

Wilson Tosta - O Estado de S. Paulo

27 Janeiro 2014 | 23h 25

Desfeita a aliança com os peemedebistas, senador petista tem caminho livre para viabilizar sua candidatura ao governo do Rio

Rio - Agora livre da união de sete anos que até então o aprisionava, o senador e pré-candidato do PT ao governo do Rio, Lindbergh Farias, terá três prioridades políticas nas próximas semanas. Uma será o encontro estadual petista que o lançará oficialmente na disputa; outra, as caravanas a municípios da região metropolitana e interior; e a terceira, a formação de uma aliança que lhe dê na televisão "tempo próximo do PMDB".

Esse último ponto merecerá atenção especial do parlamentar, que detectou, nos movimentos do governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) para atrair o Solidariedade e o PSD, uma estratégia "agressiva" dos peemedebistas que provocaria uma corrida por apoios. Os dois partidos discutiam com Lindbergh uma coligação, que foi inviabilizada.

"Não existe espaço para demora nas coligações", disse ele ao Estado. "A força com que o PMDB está se movimentando precipitou tudo. Não vamos ficar à espera da aliança ideal. Creio que até o fim de fevereiro o jogo vai estar jogado." O PT tem conversas adiantadas com PDT, PC do B e PROS no Rio de Janeiro.

Lindbergh pretende retomar, na próxima semana, as visitas a municípios do Grande Rio e do interior, que tentam replicar, em escala mais modesta, as Caravanas da Cidadania do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Vai a São João de Meriti e Nilópolis, municípios da Baixada Fluminense, região da cidade onde foi prefeito, Nova Iguaçu. Com a iniciativa, Lindbergh procura, em suas palavras, "construir um discurso" para o Rio de Janeiro.

As viagens são quinzenais, mas, após o carnaval, em março, serão semanais. Nelas, o senador faz uma abertura formal na noite de quinta-feira, e passa os três dias seguintes na cidade. Visita a periferia, para ouvir queixas de moradores - tudo é filmado -, mas também se reúne com empresários. As caravanas começaram em fevereiro do ano passado por Japeri, também na Baixada.

"Vamos a tudo", conta. "Visito a Associação Comercial, no Centro, mas também vou aos bairros, ver os problemas. A gente dá uma batida naquela área. Eu sabia, por exemplo, que faltava água em Duque de Caxias, mas não sabia que 40% da população da cidade só tem água caindo em suas torneiras duas vezes por semana. A caravana dá capacidade de discutir os problemas."

O encontro de 22 de fevereiro acontecerá no primeiro dia do prazo dado pela direção nacional do PT aos diretórios regionais para que decidam suas políticas - o fim é em 15 de abril. Na reunião, Lindbergh quer definir a "Frente Popular" e fechar um programa que tenha, disse, "a pauta do povo trabalhador do Rio de Janeiro". A expressão que usou antecipa um pouco do tom da sua futura campanha , de crítica ao governo Cabral, que, para ele, teve "viés muito elitista". Ele comemorou a saída do PT do governo estadual.

"Sair junto com Cabral era muito ruim para a gente", declarou. "Queremos reafirmar um discurso de diferença, fazer um governo para o povo trabalhador, fazer um corte, como Lula fez no País." Para o senador, o governador resolver exonerar os petistas porque finalmente "caiu a ficha" de que não haveria uma intervenção do comando nacional do PT para forçar uma coligação com o PMDB.

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