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Sem citar nomes, Campos diz que jamais agrediu a honra dos outros

Fábio Guibu - especial para o Estadão

09 Janeiro 2014 | 19h 34

Governador de Pernambuco e provável candidato à presidência pelo PSB foi chamado de 'tolo' e 'playboy mimado' em texto publicado esta semana na página oficial do PT no Facebook

Recife - Sem citar os ataques que sofreu nas redes sociais, o governador de Pernambuco Eduardo Campos, provável candidato do PSB à Presidência da República nas eleições gerais deste ano, afirmou nesta quinta-feira, 10, que as pessoas jamais o viram falando mal ou agredindo a honra de alguém. O comentário foi feito durante discurso na cidade de Carpina, a 50 quilômetros de Recife.

Na última terça-feira, um texto apócrifo publicado na página oficial do PT no Facebook chamou Campos de "tolo", "playboy mimado" e um candidato "sem projeto, sem conteúdo e sem compostura política" para disputar a Presidência da República neste ano.

Questionado, ele não quis comentar o ataque desferido pelo PT contra ele pelas redes sociais na internet. Mas, no discurso, frisou que "jamais" as pessoas o haviam visto na TV ou na rádio (citando as rádios locais) "falando mal de quem quer que seja ou agredindo a vida e a honra de qualquer um". "Não vamos fazer o debate nesses termos", disse.

"Me viram unindo Pernambuco, trabalhando de domingo a domingo para fazer os projetos e transformá-los em realidade, porque o poeta diz muito bem: não há tempo bom para aquele que não sabe para onde quer ir". Campos, que tenta firmar imagem nacional de gerenciador competente, afirmou que talento é importante na política, "mas a disciplina, a capacidade de formar equipe não é todo mundo que sabe fazer". "E a gente sabe que não é toda universidade que ensina isso", complementou.

O governador evitou citar nomes, mas disse ainda que "mais difícil do que saber perder é saber vencer", porque "quem vence tem os instrumentos e ocupa eventualmente o chamado poder". "E se não souber ganhar, tem uma capacidade de prejudicar as pessoas maior do que quem perdeu", afirmou.

Críticas ao governo. Em seu discurso, Campos disse ainda que no governo federal existem  "muitas pessoas boas de conversa", mas que não sabem como transformar esse conversa em melhoria de vida para o trabalhador. "No governo, tem muita gente que é boa de conversa, mas, para transformar a conversa em melhora na vida de um trabalhador rural, de uma dona de casa, ele não sabe nem como fazer. É mesmo que botar ele para pilotar um avião", declarou.

Campos esteve em Carpina para assinar ordem de serviço para a construção de uma Unidade Pernambucana de Atenção Especializada (Upae) no valor de R$ 12,2 milhões. Ele aproveitou para criticar a gestão da saúde no Brasil, hoje administrada pelo ministro Alexandre Padilha, possível candidato do PT ao governo de São Paulo.

"Todas as pesquisas de opinião pública dizem que a saúde é o primeiro problema do Brasil, e é preciso entender por quê", indagou, para responder em seguida: "É porque a saúde tem hoje um baixo financiamento. Muitas vezes a gente cuida mais da doença do que da saúde e é mais barato cuidar da saúde do que da doença", argumentou.

E continuou: "É como se a gente fosse consertar o telhado de casa no inverno (período de chuva no Nordeste). Conserta no verão (período de estiagem). Temos na saúde que aprender a cuidar da saúde antes de cuidar da doença, que é mais caro e muitas vezes não resolve."