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Sem apoio da bancada mineira, Quintão tenta se descolar do impeachment para se eleger líder do PMDB

Parlamentar vai usar como estratégia o discurso de que sua candidatura não é contra ou a favor do afastamento da petista, mas sim pró partido

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Igor Gadelha,
O Estado de S. Paulo

19 Janeiro 2016 | 11h04

BRASÍLIA - Sem apoio da bancada de Minas Gerais para concorrer à liderança do PMDB na Câmara, o deputado Leonardo Quintão (MG) tentará se descolar da defesa do impeachment para conseguir apoio de parlamentares do partido. Apesar de ser apoiado por um grupo formado em sua maioria por peemedebistas contrários ao governo, Quintão usará como estratégia o discurso de que sua candidatura não é contra ou a favor do afastamento da petista, mas sim "pró-PMDB".

Após mais de três horas de reunião nessa segunda-feira, a bancada mineira do PMDB não chegou a um consenso sobre como deve se posicionar na disputa pela liderança da sigla na Casa. Sem acordo, o deputado Newton Cardoso Júnior (MG) retirou sua candidatura, enquanto Quintão reafirmou que disputará o posto contra Leonardo Picciani (RJ), que tentará reeleição. Diante do impasse, o presidente estadual da sigla e vice-governador de Minas, Antônio Andrade, liberou a bancada a votar em quem quiser.

"O Picciani tem propagado que minha candidatura é pró-impeachmnet, mas ele está mentindo. Minha candidatura será pró-PMDB. Não cabe a mim ser contra ou a favor de impeachment, mas apenas conduzir o processo", afirmou Quintão ao Estado. Segundo o deputado mineiro, Antônio Andrade se comprometeu em procurar nos próximos dias o Palácio do Planalto, que defende a reeleição de Picciani, para reiterar que a candidatura dele não é pró-impeachment.

Ao adotar discurso de neutralidade em relação ao afastamento de Dilma, Quintão tenta obter apoio de deputados do PMDB que podem votar nele, mas têm receio de apoiá-lo e ficarem com a pecha de pró-impeachment. A estratégia de descolar a disputa pela liderança do PMDB do processo de afastamento de Dilma já tinha sido sugerida pelo vice-presidente Michel Temer, presidente nacional da sigla, durante encontro com deputados da ala contrária ao governo, na semana retrasada. 

Reunião. Na reunião de ontem da bancada mineira, três propostas diferentes foram discutidas: a candidatura de Newton Cardoso Júnior, a de Quintão e a defesa ao apoio a recondução de Picciani ao posto. "Coloquei meu nome e repeti que seria candidato se houvesse consenso. Como não houve, retirei minha candidatura", justificou Cardoso Júnior ao Estado. O parlamentar mineiro disse que ainda não decidiu quem apoiará na disputa. 

A defesa de apoio a Picciani foi feita por Mauro Lopes (MG). O parlamentar mineiro foi sondado pelo Planalto para assumir a Secretaria da Aviação Civil, em troca de apoiar a recondução do deputado fluminense, e já declarou que tem interesse no cargo. "O Mauro Lopes insistiu na questão do ministério e declarou apoio ao Picciani, porque ele (Picciani) prometeu a ele (Lopes) ser ministro, caso Lopes e a bancada o apoiem", comentou Quintão. Lopes confirmou que apoiará Picciani.

Terceiro candidato. Sem consenso na bancada mineira, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deverá cumprir promessa feita a aliados na semana passada e lançar um terceiro candidato na disputa. O objetivo, segundo apurou o Estado, é tentar atrapalhar a reeleição de Picciani. O deputado fluminense passou a ser desafeto político de Cunha desde que Picciani se aproximou do governo, após a reforma ministerial de outubro do ano passado. 

Na tarde desta terça-feira, Quintão e Picciani devem se reunir na liderança do PMDB na Câmara para fechar as regras da eleição. A principal divergência até agora segue em relação ao número de votos necessário, em caso de reeleição. Enquanto o deputado fluminense defende que o candidato precise de apenas maioria absoluta (34 votos), o parlamentar mineiro defende mínimo de 2/3 dos apoiamentos (44 votos) para que um peemedebista se reeleja./COLABOROU DANIEL CARVALHO

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