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Seis governadores desistem das urnas

O Estado de S. Paulo

04 Abril 2014 | 23h 01

Ao decidirem completar mandato, eles não podem mais disputar eleições em 2014; ao todo, 7 governantes renunciaram nesta semana

Brasília - Seis governadores decidiram permanecer no cargo até o fim do ano e começarão 2015 sem mandato eletivo. O número dobrou em relação a 2010, quando três chefes de Executivo não renunciaram para disputar as eleições naquele ano. Por outro lado, sete governantes renunciaram para saírem candidatos ou para que parentes entrem na corrida eleitoral.

A legislação exige que ocupantes de cargos no Executivo - tanto secretários e ministros como governantes e vices - deixem os postos seis meses antes da votação. Esse prazo termina neste sábado, mas as renúncias precisam ser confirmadas em dia útil, por isso, na prática todos precisaram se decidir até esta sexta.

O cearense Cid Gomes (PROS) e a maranhense Roseana Sarney (PMDB) foram os últimos a confirmar a permanência em seus respectivos governos. "Cheguei à conclusão de que minha responsabilidade é permanecer no governo até o fim", postou Cid no Facebook, na tarde desta sexta. "Concluir a obra que iniciei, aperfeiçoar as políticas públicas sob minha responsabilidade e, fundamentalmente, entregar o Estado do Ceará em boas mãos, me parece ser o meu dever."

Cid cogitava renunciar para que ele ou o irmão, o ex-ministro e secretário da Saúde Ciro Gomes, pudessem disputar uma vaga no Senado. O governador preferiu permanecer para manter o controle sobre a máquina estadual e lançar um candidato do PROS. Isso frustra os planos da presidente Dilma Rousseff, que esperava uma composição do grupo de Cid e do PT com o PMDB do senador Eunício Oliveira, pré-candidato ao cargo.

No Maranhão, Roseana fez um rápido anúncio para dizer que fica no governo. Será a primeira vez em 24 anos que a filha do senador José Sarney (PMDB-AP) não disputa uma eleição.

A governadora cogitava disputar o Senado pela segunda vez, mas essa hipótese ficou mais distante quando o presidente da Assembleia Legislativa, Arnaldo Melo (PMDB), descartou convocar eleições indiretas após a saída de Roseana - o vice eleito em 2010, Washington Oliveira (PT), já havia renunciado para se tornar conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), o que daria a Melo o direito de governar o Estado. O clã Sarney vai lançar o ex-secretário de Infraestrutura Luis Fernando Silva (PMDB).

Outro que desistiu de se candidatar em outubro é André Puccinelli (PMDB). Ele abriu mão da candidatura ao Senado e deve apoiar sua vice, Simone Tebet (PMDB). Jaques Wagner (PT-BA), Silval Barbosa (PMDB-MT) e Teotonio Vilela Filho (PSDB-AL) já haviam dito que não sairiam candidatos.

Transmissão. Além de Eduardo Campos (PSB-PE), renunciaram Sérgio Cabral (PMDB-RJ), Antonio Anastasia (PSDB-MG), Omar Aziz (PSD-AM), Wilson Martins (PSB-PI), Anchieta Júnior (PSDB-RR) e Siqueira Campos (PSDB-TO). Acuado pela queda de popularidade, Cabral disse ter promovido uma "revolução social silenciosa no Rio". Anastasia, que vai coordenar o programa de governo do PSDB ao Planalto, disse deixar o governo para "dar continuidade a um projeto político capitaneado pelo agora senador Aécio Neves" e para "servir à causa mineira". 

CARMEM POMPEU, ERNESTO BATISTA e GUILHERME SOARES DIAS, ESPECIAIS PARA O ESTADO