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DIDA SAMPAIO|ESTADAO

Segundo interlocutores, Temer avalia que impeachment 'perdeu força'

Vice-presidente teria dito a deputados aliados que já considera que eventual afastamento de Dilma não deve acontecer

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Igor Gadelha,
O Estado de S.Paulo

06 Janeiro 2016 | 18h41

Atualizada às 20h26

BRASÍLIA - O vice-presidente Michel Temer avalia, segundo interlocutores, que o impeachment da petista "perdeu força", ao menos no curto prazo, após o rito de tramitação do processo no Congresso Nacional estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em dezembro. O peemedebista disse a alguns deputados aliados considerar que um eventual afastamento de Dilma tem grandes chances de não acontecer.

Deputado da ala pró-impeachment do PMDB, Osmar Terra (RS) afirmou que Temer disse nesta quarta0-feira, 6, a peemedebistas, durante café da manhã, que a bancada na Câmara não deve trabalhar com a ideia de que vai ter impeachment. "Ele avaliou duas vezes que não vai ter impeachment. Pelo menos este ano ele acha que não vai", afirmou Terra. Segundo o deputado, Temer acredita que o impeachment vai depender da conjuntura econômica do País na época do julgamento.

Temer pediu que a bancada do PMDB tentasse evitar que a eleição para a liderança do partido na Câmara aprofunde a divisão interna da sigla. "Ele falou que quer todo o PMDB unido para a eleição de 2018", disse. Segundo o deputado, o vice afirmou que, durante as viagens que fará pelo Brasil a partir do fim de janeiro, vai focar no projeto "Uma Ponte para o Futuro", apresentado em novembro, como o programa do partido para 2018.

Segundo interlocutores do vice-presidente ouvidos pelo Broadcast Político, serviço de notícias em tempor real da Agência Estado, Temer avalia que o impeachment "absolutamente perdeu relevância" no debate político, após a decisão do STF favorável ao Planalto, ao menos no curto prazo. Entre os pontos positivos para Dilma estão a proibição de votação secreta para a escolha dos membros da comissão especial do impeachment na Câmara e a autonomia do Senado na decisão de arquivar ou não o processo.

 Michel Temer acreditaria, ainda, que a decisão do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de pedir esclarecimentos ao STF sobre o julgamento, por meio dos chamados embargos declaratórios, deve retardar a análise do processo no Congresso Nacional. Esse atraso pode contribuir ainda mais para o enfraquecimento do processo de afastamento de Dilma, pois pode dar tempo de o governo se recuperar da crise.

Também da ala pró-impeachment, o deputado Lúcio Vieira Lima (BA) comenta que parte do grupo contrário ao governo já trabalha com a possibilidade de o julgamento do impeachment no Congresso só acabar em 2017. "Com os embargos, a votação na Câmara deve ficar lá para maio ou junho. No 2º semestre, tem eleições municipais e depois, acabou o ano", diz. "A não ser que a crise tenha um caos tão grande e tenha de se tomar uma providência logo".

Rompimento. A discussão sobre o rompimento do PMDB com o governo Dilma durante a convenção nacional do partido, prevista para março, também vem perdendo força. O principal foco do vice-presidente agora tem sido a sucessão do comando da legenda. "Se tiver espaço e tempo, o rompimento só será tratado depois", diz um interlocutor frequente de Temer.

O vice-presidente está se movimentando para combater articulação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), contra ele. Presidente estadual do partido em Alagoas, o senador vem trabalhando para garantir votos de dirigentes estaduais da legenda para tirar Temer do comando nacional do partido e diminuir sua influência no PMDB, que comanda desde 2005.

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