EVARISTO SÁ|AFP
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Falcão diz que PT considerou 'desnecessário' representar contra Cunha

Presidente da sigla contou que houve pressão de dirigentes partidários para acionar o Conselho de Ética contra o presidente da Câmara, mas direção da legenda considerou que já havia as representações do PSOL e da Rede com assinaturas petistas

Igor Gadelha, com Vera Rosa e Ricardo Galhardo, O Estado de S. Paulo

29 Outubro 2015 | 18h08

Brasília - O presidente nacional do PT, Rui Falcão, admitiu que membros do Diretório Nacional propuseram, durante reunião nesta quinta-feira, 29, que o partido apresentasse representação contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no Conselho de Ética da Casa. Segundo ele, a direção da sigla, contudo, achou "desnecessário", pois já havia uma representação apresentada pelo PSOL e Rede, que deputados petistas assinaram, embora o PT não tenha apoiado como partido.

Questionado se a legenda, então, vai defender o afastamento de Cunha da presidência da Câmara, Falcão se esquivou. "Se nem o Ministério Público tem toda a documentação necessária para pedir o afastamento, não somos nós quem vamos propor", disse. Ele reafirmou que os três deputados do PT que compõem o Conselho de Ética deverão se posicionar de forma "unitária", sob orientação da direção nacional do partido. Essa posição, contudo, será externada "no momento certo".

Como vem mostrando o Broadcast, nos bastidores, a ideia do PT e do ex-presidente Lula é apoiar Cunha no Conselho de Ética em troca da não aceitação de pedido de impeachment da presidente Dilma na Casa. Apesar do discurso mais ameno contra o peemedebista, resolução aprovada pela Executiva e Diretório Nacional do PT critica o presidente da Câmara. O documento afirma que Cunha assumiu "a liderança de uma agenda para contrarreformas, além de flertar com o impeachment".

Falcão destacou que, durante a reunião de hoje do Diretório, o item 11 da Resolução aprovada ontem pela Executiva foi retirado. O item afirmava que "tensões e divisões nas fileiras populares, provocadas principalmente pela rejeição ao ajuste fiscal e a composição de ministério com maior peso das agremiações de centro, também contribuíram para excitar movimentos golpistas". Segundo ele, a mudança não compromete o conjunto do texto e foi para evitar "erro de interpretação". 

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