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Política

José Eduardo Cardozo

Se tiver indícios, será investigado, afirma ministro da Justiça sobre repasses de FHC

'Não importa para mim se são pessoas aliadas à base governista, de partidos que mantêm boa relação com o governo, ou se são oposicionistas. Nós fazemos os mesmos procedimentos, sem a busca de factóides', diz José Eduardo Cardozo

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Alfredo Mergulhão e Constança Rezende,
O Estado de S. Paulo

19 Fevereiro 2016 | 12h13

Rio - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou que todos os aspectos que possam envolver uma situação de "eventual ocorrência de delito" no envio de dinheiro ao exterior, por parte do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso , passarão por "estudo técnico e jurídico" da Polícia Federal. "A PF é quem vai dar a palavra técnica final.  É um procedimento comum. Saiu um matéria, eu sou informado dela, a minha assessoria olha, a PF olha.. Se chega uma representação, aí nós já temos a análise da representação". 

A jornalista Mirian Dutra - com quem o tucano teve um relacionamento extraconjugal nos anos 1990 - afirmou que a empresa Brasif foi usada para repassar uma mesada de US$ 3.000 mensais a ela entre dezembro de 2002 e dezembro de 2006. O caso veio à tona em uma entrevista da jornalista para o jornal Folha de S. Paulo divulgado na quarta-feira.

Nesta quinta-feira, 18, FHC afirmou que o contrato foi feito “há mais de 13 anos” com a Brasif S.A. Exportação e Importação. O tucano, no entanto, disse não ter condições de se manifestar sobre os detalhes até que a empresa preste esclarecimentos sobre o assunto.

"Isto não vale apenas para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mas para todos os brasileiros e brasileiras. Aquilo que for de competência da PF e tiver indícios de pratica criminosa, dentro de situações que são puníveis, tudo será absolutamente investigado. Então essa não é uma situação diferenciada, atípica, daquelas que ocorrem", disse Cardozo, durante vistoria à operação de segurança do Mundial de Saltos Ornamentais, no Parque Olímpico do Rio de Janeiro, um evento-teste para os Jogos Rio 2016.

Cardozo lembrou que costuma ser acusado de controlar e instrumentalizar a PF, mas declarou que os procedimentos para abertura de investigações e o mesmo. "Não importa para mim se são pessoas aliadas à base governista, de partidos que mantêm boa relação com o governo, ou se são oposicionistas. Nós fazemos os mesmos procedimentos, sem a busca de factóides, sem a busca de exposição de imagem", disse.

Na chegada ao evento, no Parque Aquático Maria Lenk, na Barra da Tijuca, o ministro passou pela revista feita por agentes da Força Nacional de Segurança, com detectores de metal. Em seguida, Cardozo visitou o Centro Integrado de Comando e Controle Setorial, coordenado pela Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos (SESGE) - em parceria com outros órgãos federais, estaduais e municipais - instalado a 100 metros do local, no edifício HSBC - Arena.

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