'Se pagar mensalinho aqui, mensalão ali, ninguém denuncia', diz Rezeck

Ex-prefeito de Barretos diz que foi perseguido por inimigos políticos: 'Se não tivesse confiança no meu trabalho, não estaria aqui'

William Cardoso, O Estado de S.Paulo

10 Maio 2011 | 12h00

O secretário municipal de Participação e Parceria, Uebe Rezeck, atribuiu as seis condenações e outras ações na Justiça aos desafetos feitos em mais de 40 anos de vida pública. Ele falou ao Estado na sexta-feira acompanhado da assessora jurídica da pasta.

 

Por que receber férias vencidas e 13º sem previsão legal?

Desembargador, governador, deputado, senador, secretários, todos os assessores da prefeitura recebem férias e 13.º. O prefeito, dizem que não. O Tribunal de Contas decidiu que cabe ao prefeito receber. Eu recebi. Onde há improbidade? Está em Brasília e vou ganhar, com a graça de Deus.

 

E sobre a contratação da sobrinha, como funcionária fantasma?

Essa moça atuou na Secretaria Municipal da Saúde (de Barretos), que recebeu recurso do governo federal para um projeto. Ela trabalhou, mas, como era projeto, não era funcionária pública de ninguém. Não tinha ponto assinado. A diretora da Regional de Saúde e o secretário diziam que ela trabalhava. O dinheiro não era da prefeitura, o prefeito não pagou, não dependia de nomeação. Não tem pé nem cabeça (a acusação).

 

A Justiça o condenou por ter alugado o imóvel da mulher de um vereador sem licitação.

Prefeito não aluga imóvel. A secretaria foi quem procurou o imóvel mais barato, com acesso a portador de deficiência. Não passou pelo prefeito, mas não teria problema nenhum se passasse. Onde é que tinha improbidade, meu Deus do céu? Como vai promover concorrência para alugar uma casa? É preciso buscar o lugar necessário.

 

Houve condenação pela divulgação de seu nome e símbolos de campanha em cartões de Natal e placas de obras.

Em qualquer lugar no mundo, não tem o nome de quem fez? O homem público tem de ter orgulho do que faz e eu mudei minha cidade. Comprovamos que não havia um tostão da prefeitura, mesmo assim fui condenado. É um absurdo.

 

A Justiça também o condenou por nomear indevidamente um funcionário como chefe de setor.

Ele é um funcionário de carreira, com mais de 20 anos de serviço, que entrou por concurso e passou por vários prefeitos.

 

A Justiça o obrigou a devolver R$ 94.200 por pagar com dinheiro público escritório de advocacia para defendê-lo em processos. O que pensa a respeito?

Foi feito o contrato, dava R$ 4,5 mil por mês para defender a prefeitura. Aí, tem o parecer, inclusive do Ministério Público, dizendo que o valor era ínfimo e o processo foi arquivado. Era abaixo do valor de mercado. Se estivesse pagando R$ 500 mil.... Se mandar meu advogado de Barretos vir aqui, com diária, hotel, daria muito mais que isso. Não era o Uebe que estava sendo defendido, era o prefeito.

 

Qual sua posição sobre a Lei da Ficha Limpa?

Foi feita a toque de caixa, sem alguns cuidados. Não posso pegar o indivíduo que é ímprobo, desonesto, que fez uma administração incorreta, superfaturamento e colocar na mesma lata de lixo que outros. Pessoas que têm problemas gravíssimos e pessoas que tiveram, digamos assim, um erro de uma licitação, que não houve prejuízo para a população. Joga todo mundo na mesma lata de lixo.

 

Por que tantas acusações contra o senhor em sua cidade?

Se fizer parte de uma quadrilha, pagar mensalinho aqui, mensalão ali, ninguém denuncia nada. Agora, quando não molha a mão de ninguém, faz a coisa correta e demite alguém que estava roubando, aí você paga. Nem por isso, deixei de ser prefeito por 12 anos, ganhei três vezes. Na última eleição para deputado estadual, tive mais de 68 mil votos.

 

O senhor se julga apto a ser secretário em São Paulo?

Meu irmão, tenho 75 anos. Não sou nenhum garoto, nenhum aventureiro. Por onde passei, fiz um belíssimo trabalho. Fui secretário do Interior, chefe de gabinete do Ministério da Indústria e Comércio, deputado três vezes, prefeito três vezes e vice-prefeito. Por onde passei, saí de cabeça erguida. Se não tivesse confiança no meu trabalho, não estaria aqui.

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