'Se o presidente Lula abusar, cabe à Dilma controlar', diz FHC sobre ministérios

Ex-presidente acredita que atual mandatário está interferindo demais na formação do governo

Anne Warth, da Agência Estado,

03 Dezembro 2010 | 12h32

SÃO PAULO - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse nesta sexta-feira, 3, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está interferindo demais na formação da equipe de ministros da presidente eleita, Dilma Rousseff. Porém, ponderou que cabe a ela limitar os abusos que Lula cometer . "O presidente Lula sempre me criticou porque dizia que eu me metia demais na política depois da presidência. Agora e ele quem está se metendo demais", disse, após participar da inauguração do Orquidário Professora Ruth Cardoso no Parque Villa Lobos, na Capital paulista.

 

"Mas deixa ele fazer, ainda acho que os outros é que tem de limitar. Se o presidente Lula abusar, cabe à Dilma controlar. Mas esse é o temperamento do Lula. Ele critica os outros e faz a mesma coisa", alfinetou o ex-presidente tucano. FHC ficou muito emocionado com a homenagem feita à esposa, que faleceu em junho de 2008, e que dá o nome ao orquidário inaugurado pelo governador de São Paulo, Alberto Goldman.

 

Fernando Henrique disse ser normal sentir falta da Presidência depois de deixar o cargo. Ele evitou dar conselhos a Lula, que deixará o cargo em menos de 30 dias. Mas, citou sua experiência como ex-presidente assim que deixou o posto. "O Lula me deu tantos conselhos que acho melhor não dar nenhum. Não quero me meter a ser conselheiro do rei e nem do antigo rei, não é meu papel", afirmou.

 

O tucano contou que, assim que deixou a Presidência, viajou com sua mulher Ruth Cardoso para a Europa. "Sem assessor, sem seguranças e sem automóvel, sem nada. Você agora é um cidadão como os outros", disse. Segundo ele, existem vantagens em deixar o Palácio do Planalto e 'descer a planície". "Agora, estou mais livre, tenho a possibilidade de andar sem gravata entre o pessoal engravatado, o que deixa muito feliz", afirmou. "O Lula também anda sem gravata, é verdade. Quem sabe agora, ele use fraque", ironizou.

 

Sobre os nomes dos ministeriáveis da equipe de Dilma, FHC afirmou não ver nenhuma surpresa. "Não me parece um governo agressivo e acho até melhor que seja assim, por enquanto é a copa e a cozinha. Vamos esperar." Em relação às negociações do novo governo para acomodar os partidos aliados, o ex-presidente afirmou considerar as articulações normais, mas questionou os reais objetivos. "O importante não é isso, importante é: qual é o programa, para onde é que a gente vai. Quando nos aliamos com alguém, ou é pra fazer alguma coisa e Lever outras adiante, ou é só distribuição de cargos. Se for só distribuição de cargos, é algo que só interessa aos que vão recebê-los e não ao povo. Se for para ajudar o País, é isso que precisa."

 

A respeito da refundação do PSDB, ele disse não acreditar na possibilidade de refundar a legenda. "Não é questão de refundação, tem de revitalizar. Todos os partidos, depois de vários anos e tantas lutas, tem que pensar um pouco no que fez, para onde vai, quem são e qual é o futuro. Acho positivo", afirmou. "Agora, refundar, fundar de novo, não é possível. Já está fundado. E um partido dá um trabalho que vocês não imaginam. Fazer outro? Deus me livre."

 

Serra

 

O candidato derrotado à Presidência da República José Serra (PSDB) também participou da inauguração do Orquidário Ruth Cardoso, mas evitou a imprensa. "Só quero falar de orquídeas", disse. "Me deixem curtir o meu sabático."

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