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Ricardo Nogueira|EFE

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'Se necessário, serei candidato', avisa Lula

'Se preparem', disse o ex-presidente; discurso do petista em Salvador nesta quarta, 11, foi interrompido por gritos de 'Brasil pra frente, Lula presidente'

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Daniel Weterman e Cleusa Duarte, especial para o Estado ,
O Estado de S.Paulo

11 Janeiro 2017 | 14h56
Atualizado 12 Janeiro 2017 | 10h12

SALVADOR - Ao participar de seu primeiro ato público do ano, o ex-presidente Luiz Inácio Lulada Silva disse que todos aqueles que queiram ser candidato à Presidência da República devem ter esse direito. Durante o 29.° Encontro Estadual do Movimento dos Sem Terra (MST), em Salvador, Lula voltou a afirmar que poderá disputar novamente o Palácio do Planalto.

“Se o (presidente Michel) Temer quer ser, ótimo, se o (ministro José) Serra quer ser, ótimo, se o (juiz Sérgio) Moro quer ser, ótimo, se os delegados (da Polícia Federal) querem ser... todo mudo que quer ser candidato tem direito, entre num partido e vá para as ruas”, afirmou.

O PT pretende lançar a candidatura de Lula a um terceiro mandato presidencial para, no máximo, até maio deste ano. A antecipação tem por objetivo aproveitar a baixa popularidade do governo Michel Temer e reforçar a defesa jurídica do ex-presidente, réu em cinco ações penais, duas delas diretamente no âmbito da Operação Lava Jato. Nenhum dos processos foi julgado até agora. Caso seja condenado em segunda instância, por órgão colegiado, Lula ficaria inelegível com base na Lei Ficha Limpa.

No evento, o petista acusou Moro de ter influência no impeachment de Dilma Rousseff.

Bonés vermelhos. As agendas do ex-presidente com movimentos populares ontem e hoje - quando participa de ato com trabalhadores da educação, em Brasília - fazem parte da estratégia de criar uma frente de apoio antes de o petista anunciar oficialmente que será candidato. Além disso, Lula prepara um programa econômico para se contrapor ao de Temer.

“Se preparem, porque se necessário eu serei candidato à Presidência. Se eu for candidato, é para a gente ganhar as eleições desse país”, disse o ex-presidente, de boné vermelho do MST. Na plateia, cerca de dois mil agricultores usavam bonés com a inscrição “Estamos com Lula”.

Mais cedo, no mesmo evento, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou que o partido ainda não tomou a decisão sobre uma eventual candidatura do ex-presidente, mas que ele é “aspiração nacional”.

Durante o discurso, Lula era interrompido pelo público com o grito “Brasil pra frente, Lula presidente”. O ex-presidente disse ainda que durante este ano vai andar pelo País para recuperar a imagem do PT e sua própria imagem. Ele voltou a afirmar que a legenda está sendo criminalizada pela mídia e pela Justiça.

Estado. O ex-presidente fez um discurso defendendo que o País volte a crescer através de investimentos do governo. “O único jeito desse país voltar a crescer é o Estado investir, pode mexer no compulsório, pode aumentar a dívida. A melhor forma de diminui a dívida com proporção do PIB, é fazer o PIB crescer”, afirmou.

Lula disse também que o Brasil precisa fazer a reforma agrária e voltar a usar os bancos públicos para financiar a agricultura familiar, os pequenos empresários e os consumidores.

De acordo com líder máximo do MST, João Pedro Stédile, o movimento “não precisa fazer um evento para lançar Lula presidente do Brasil”. Para Stédile, ele é “o candidato permanente do povo pobre brasileiro”.

Hoje o ex-presidente participa na capital federal do congresso da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

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