'Se houver delitos e malfeitos, que venham todos à luz de uma vez', diz Temer

Durante premiação em São Paulo, presidente faz apelo público ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em relação a vazamentos de delações de executivos e ex-executivos da Odebrecht; conteúdo de uma delas atingiu diretamente o governo

Valmar Hupsel Filho, O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2016 | 00h34

Em uma referência às delacões premiadas que executivos e ex-executivos da Odebrecht estão assinando e ao conteúdo de uma delas que atingiu diretamente seu governo no fim de semana, o presidente Michel Temer fez, na noite desta segunda-feira, 12, um apelo público ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o vazamento das informações. 

"Se houver delitos e malfeitos, que venham todos à aluz de uma vez", disse Temer, ao discursar no encerramento do prêmio Líderes do Brasil 2016, evento organizado pelo Lide, do grupo Doria, no Palácio dos Bandeirantes.  

O teor do apelo público é semelhante ao da carta que o presidente  encaminhou nesta segunda-feira a Janot, na qual pede investigação para evitar vazamentos seletivos do conteúdo das delacões de executivos da Odebrecht. 

Elaborada nesta segunda-feira, a carta foi motivada pela revelação, na última sexta-feira, 10, do conteúdo do acordo de colaboração de Claudio Melo Filho, que revelou o suposto repasse de mais de R$ 10 milhões para Temer, além de envolver outros membros do alto escalão do governo. 

Temer chegou ao evento acompanhado do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), do prefeito eleito de São Paulo,  João Doria (PSDB), e do deputado Baleia Rossi, líder do PMDB na Câmara. Também estiveram presentes no evento os ministros Bruno Araújo (Cidades), Mendonça Filho (Educação) e Alexandre de Moraes (Justiça). 

Medidas impopulares. Em seu discurso, no qual usou como eixo central a palavra "coragem", Temer disse que tem adotado medidas impopulares para garantir o futuro. "Apreciaria imensamente não ser chicoteado chicotes nas redes sociais por causa da reforma da Previdência, mas temos que fazer a reforma para garantir a previdência no futuro", disse. 

Único a citar indiretamente as delacões, o empresário Abilio Diniz externou confiança e apoio ao governo Temer e disse que, neste momento conturbado, o País precisa de "união".  

Outro a falar em união  foi o prefeito eleito de São Paulo, João Doria, fundador do Lide. "Só com a união de todos os brasileiros vai fazer diferença", disse. 

Em seu discurso, Alckmin fez um afago ao presidente, no momento em que o PSDB briga por mais espaço no governo. Alckmin lembrou que Temer foi procurador-geral e secretário de Segurança Pública de São Paulo. "Sinta-se em casa", disse ele, em referência ao Palácio dos Bandeirantes, que sediou o evento. 

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