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'Se for chamado por Temer, direi não', afirma Cristovam sobre ministério

Em entrevista à 'Rádio Estadão', o senador, que se reuniu na quinta com o vice, diz que tem papel a cumprir no Senado

Elizabeth Lopes, O Estado de S. Paulo

29 Abril 2016 | 10h31

SÃO PAULO - O senador Cristovam Buarque (PPS-DF), que esteve reunido na quinta-feira, 28, com o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), e com o presidente nacional de sua sigla, deputado Roberto Freire (SP), disse na manhã desta sexta-feira, em entrevista à Rádio Estadão, que não pretende assumir um ministério em um eventual governo do peemedebista. Após o encontro no Palácio do Jaburu, ele saiu como um dos nomes cotados para assumir a  Cultura. Na entrevista, contudo, ele destacou: "Não farei parte do governo Temer, se for chamado, direi não."

À Rádio Estadão, Cristovam, que já foi do PT, do PDT e agora integra o PPS, argumentou que tem um papel a cumprir no Senado e que não tem motivação para entrar num governo como ministro. "Não fiz parte dos que lideraram (o pedido de) impeachment (de Dilma Rousseff). Até tenho reafirmado que não estou convencido que houve crime (de responsabilidade), estou convencido que ela não tem mais condições de governar este País, falei isso nos últimos anos. Mas hoje não estou ainda com a certeza de que existe a razão do crime."

Sobre a sessão de quinta-feira na Comissão Especial do Impeachment no Senado, onde foram ouvidos os autores do pedido, os juristas Miguel Reale Jr. e Janaína Paschoal, Cristovam disse que ficou frustrado com a falta de explicitação dos crimes sobre os quais Dilma é acusada. E criticou o fato de Reale Jr. não ter ficado até o final da sessão para responder aos questionamentos dos parlamentares, alegando que tinha consulta médica. "Repito o que disse, ele é escravo deste ato pois assinou um pedido de afastamento da presidente da República. Além disso, não vi grandes contribuições técnicas da doutora Janaína, não vi também (de seus colegas) um debate aprofundado e a preocupação em levar à população os esclarecimentos sobre se a presidente Dilma cometeu tais crimes."

Nesta sexta-feira, a comissão ouve a defesa de Dilma, com o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, e os ministros da Fazenda, Nelson Barbosa, e da Agricultura, Kátia Abreu. Sobre a defesa de Cardozo, criticada por alguns setores da oposição, o senador do PPS disse que ele não está defendendo a figura de Dilma, mas sim a da presidente da República, por isso não se sente "incomodado" com isso.

Cristovam voltou a defender que o melhor caminho para sair da atual crise seria por meio de eleições gerais. Mas ele reconheceu que no momento não vê como isso poderia ser feito em tempo hábil. E disse que um eventual governo Temer não terá a estabilidade necessária em razão dos pedidos de impedimento que poderão ser impetrados contra ele, baseados na tese do PT e dos aliados do governo de que o peemedebista também assinou decretos que podem ser enquadrados nas chamadas pedaladas fiscais.

Apesar da avaliação, o senador acredita que a eventual substituição de Dilma Rousseff - se o Senado aprovar a continuidade do processo de impeachment, ela será afastada por um prazo de até seis meses - será benéfica para o País. "A substituição de Dilma trará alívio, com Temer ou com qualquer outro. O problema é depois, precisamos saber se ele vai conseguir tomar as medidas necessárias para controlar a dívida e a inflação e retomar o crescimento e implantar a reforma política. Alívio trará, mas será preciso aguardar as consequências."

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