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Eleições 2014

Se convidada, Mara Gabrilli não descarta integrar chapa de Aécio

Elizabeth Lopes - Agência Estado

09 Abril 2014 | 18h 29

Para Fernando Henrique Cardoso deputada tetraplégica pode agregar valor à campanha pela defesa de causas humanitárias e desenvoltura no cenário político

São Paulo - Deputada federal pelo PSDB de São Paulo e defensora das políticas públicas para pessoas com deficiência, Mara Gabrilli está sendo cotada para vice na chapa presidencial do senador Aécio Neves (PSDB-MG). Ela conta com um apoio de peso em favor do seu nome, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que se tornou nesta pré-campanha tucana uma espécie de mentor intelectual do senador mineiro e tem atuado de forma ativa nas discussões programáticas e na estratégia política.

Em sua defesa, FHC alega que, além de ser um nome de São Paulo, maior colégio eleitoral do País e reduto fundamental na corrida à Presidência da República, com cerca de 32 milhões de eleitores ou 22% de todo o Brasil, a deputada pode agregar valor à chapa do PSDB, pois tem encantado os correligionários pela ferrenha defesa das causas humanitárias e também pela desenvoltura que tem demonstrado no cenário político.

Há 18 anos, Mara sofreu um acidente de carro que a deixou tetraplégica. O episódio a levou a superar limites e a encarar a vida com otimismo. Para trabalhar em prol das políticas públicas para um universo de pessoas com alguma deficiência no País, estimado em cerca de 45 milhões de pessoas, ela fundou, em 1997, a ONG Projeto Próximo Passo, que se expandiu e transformou-se no Instituto Mara Gabrilli, e em 2005 entrou para a política.

Nas eleições de 2008, já obteve a marca de mulher mais bem votada no Brasil. Mesmo assim, ela diz que jamais pensou em compor uma chapa presidencial. "Me sinto lisonjeada por meu nome estar sendo citado", diz a deputada, na entrevista exclusiva à repórter Elizabeth Lopes, do Broadcast Político. E completa, bem-humorada, que o único convite que recebeu até o momento foi justamente para ser vice, "vice-líder da bancada do PSDB na Câmara dos Deputados." A seguir, os principais trechos da entrevista:

Broadcast Político - O seu nome está sendo cotado para ser vice na chapa de Aécio Neves nessas eleições presidenciais. Houve algum convite formal?

Mara Gabrilli - Ontem eu tive um convite, mas pra ser vice-líder da bancada (do PSDB na Câmara dos Deputados). Agora, com relação à chapa do Aécio, estou lendo em alguns lugares sobre isso, mas não conversei com o senador a respeito.

BP - Como defensora das causas humanitárias, a senhora tem participado das discussões do seu partido com vistas às eleições 2014?

Mara - Tenho discutido temas pontuais, propostas que defendo, mas não trato de estratégia eleitoral.

BP - A senhora aceitaria o desafio de ser vice na chapa presidencial do PSDB?

Mara - Nunca pensei sobre isso, mas fico muito lisonjeada, de ver meu trabalho ser reconhecido. Agora, se tiver um convite formal, eu tenho que pensar, que estudar, ver o que o cargo exige. Eu não estou neste caminho para ser uma articuladora política, claro que se eu me dedicar, isso pode acontecer.

BP - E qual é o seu papel na política?

Mara - O meu papel é muito claro, estou na política para melhorar a vida das pessoas com deficiência. Acredito que se você melhora a vida das pessoas com deficiência em uma cidade, a vida de todas as pessoas melhora. Sou muito focada nisso.

BP - Mas há a possibilidade de aceitar um eventual convite?

Mara - Imagina um cargo dessa envergadura, Aécio é eleito, tem de viajar, aí o vice assume a Presidência do País... nunca planejei isso. Mas, é claro que não vou falar (se o convite for formalizado) 'nunca', que dessa água não beberei. Mas eu tenho um projeto específico para estar na política.

BP - Qual a importância de um candidato a vice em uma campanha?

Mara - É um papel muito importante, acho que agrega demais. Por exemplo, uma vice como (a ex-senadora) Marina Silva (na chapa do pessebista Eduardo Campos) agrega afeto, confiança, uma espécie de sentimento de guardiã das boas causas. Não sinto isso com o Temer (o peemedebista Michel Temer, que deve ser novamente o vice na chapa de Dilma Rousseff).

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